MEUS COLEGAS ME ARRANJARAM UM ENCONTRO COM UMA MULHER SURDA COMO PIADA… ATÉ QUE EU A FIZ SORRIR

— Quero ver quanto tempo ele vai aguentar sentado com ela sem conseguir falar nada.

Sérgio reconheceu a voz de Marcos do lado de fora da cafeteria.

Daniela tentou puxá-lo pelo braço.

— Cala a boca! Ele pode perceber!

Sérgio percebeu.

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E também entendeu tudo quando Olívia levantou as mãos e sinalizou:

— Você é o Sérgio?

Ele olhou para os três colegas escondidos do outro lado da janela.

Depois voltou os olhos para ela.

E respondeu em Libras:

— Sou. E estava ansioso para conhecer você.

Olívia arregalou os olhos.

— Você sabe Libras?

— O suficiente para descobrir se esse café é tão ruim quanto dizem.

Ela riu.

Do lado de fora, Daniela perdeu o sorriso.

Marcos ficou boquiaberto.

João simplesmente virou o rosto.

Eles tinham armado aquele encontro porque Olívia era surda. Esperavam assistir Sérgio entrar em pânico, sem saber como se comunicar.

Só esqueceram de uma coisa.

Durante a faculdade, Sérgio havia trabalhado como voluntário em um projeto para pessoas surdas e aprendera Libras durante anos.

O que deveria durar quarenta minutos virou duas horas.

Olívia era designer, tinha acabado de chegar a Salvador e possuía um humor afiado que fez Sérgio rir como não ria havia meses.

Antes de ir embora, ela perguntou:

— Daniela disse que você quase não fala.

Sérgio sorriu.

— Eu falo quando encontro alguém que vale a pena ouvir.

Ela sustentou o olhar dele.

— Mesmo quando essa pessoa não ouve?

Sérgio respondeu sem hesitar:

— Ouvir alguém nunca dependeu só dos ouvidos.

O sorriso dela desapareceu por um segundo.

Depois voltou diferente.

Mais verdadeiro.

Na segunda-feira, Marcos apareceu na mesa de Sérgio.

— Cara… era só uma brincadeira.

Sérgio levantou imediatamente.

— Comigo?

— É.

— Não. Vocês usaram a Olívia para fazer a brincadeira comigo.

Marcos perdeu a graça.

Na sala do café, diante de Daniela e João, Sérgio completou:

— Vocês transformaram a deficiência dela em entretenimento. Ela foi até lá acreditando que conheceria alguém. Não que serviria de piada para vocês.

Ninguém respondeu.

Mas Sérgio ainda precisava fazer algo mais difícil.

Contar a verdade para Olívia.

Dias depois, sentou novamente diante dela.

— Nosso primeiro encontro foi armado como uma piada.

Olívia ficou séria enquanto ele explicava tudo.

Quando terminou, ela perguntou:

— Por que está me contando agora?

— Porque pensei em desaparecer para evitar problemas no trabalho. E percebi que estaria decidindo por você, igual eles fizeram.

Ela permaneceu alguns segundos olhando para ele.

— E o que você quer?

Sérgio respondeu:

— Continuar conhecendo você.

Olívia sorriu.

— Então peça outro café.

Meses depois, os dois ainda frequentavam aquela mesma cafeteria.

E toda vez que alguém perguntava como haviam se conhecido, Sérgio lembrava da ironia.

Seus colegas tentaram humilhá-lo usando Olívia como piada.

Mas acabaram colocando diante dele justamente a pessoa que lhe ensinaria algo que nenhum deles entendia:

para escutar alguém de verdade, primeiro é preciso respeitá-la.

Se você acredita que nenhuma dor é maior que a promessa de Deus, comente: EU CREIO! E diga também: de qual cidade você está nos assistindo?

✍️ Autor: Maycon Teles Criador e editor do Fábulas Reais

Maycon Teles é o criador do Fábulas Reais, um espaço dedicado a contos emocionantes, narrativas ficcionais, histórias inspiradoras e relatos de superação criados para entreter, emocionar e provocar reflexão. Seu trabalho busca transformar situações marcantes da vida em histórias envolventes, humanas e cheias de emoção.

Aviso ao leitor: Esta é uma obra de ficção criada para entretenimento e reflexão. Nomes, personagens, locais e acontecimentos podem ser fictícios ou ter sido adaptados para fins narrativos. Qualquer semelhança com pessoas ou eventos reais é mera coincidência.

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