
POLICIAL NEGRO ALGEMA O PRÓPRIO CHEFE EM CASA — 3 HORAS DEPOIS, DEZENAS DE AGENTES CERCAM A DELEGACIA
— Coloque o telefone na mesa, comandante. Agora!
— Você esqueceu quem manda em você, André?
— Não esqueci. Por isso mesmo estou mandando colocar o telefone na mesa.
Roberto Menezes deu um sorriso debochado e continuou discando.
— Uma ligação minha e sua carreira acaba hoje.
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O sargento André Nascimento avançou.
Menezes tentou afastá-lo.
— Não encosta em mim!
CLIQUE.
A primeira algema fechou.
— André, você ficou maluco?!
CLIQUE.
A segunda prendeu o próprio comandante da delegacia.
André recolheu o celular que havia caído.
Na tela, uma mensagem apareceu:
“Ele descobriu. Os registros precisam desaparecer hoje.”
Menezes perdeu o sorriso.
André apontou para a pasta aberta sobre a mesa.
— Esses números são de ocorrências da nossa delegacia.
— Você não sabe o que está vendo.
— Então explica por que algumas delas desapareceram do sistema.
Menezes aproximou o rosto.
— Pense na sua família antes de continuar.
André sustentou o olhar.
— Isso foi uma ameaça?
— Foi um conselho.
André levou o comandante algemado para a delegacia.
Assim que chegaram, um policial arregalou os olhos.
— Sargento… você prendeu o chefe?
— Ninguém toca nos computadores. E ninguém acessa essas ocorrências sem registro.
Menezes passou pelo policial e falou calmamente:
— Pergunte a ele se sabe o que acabou de fazer.
Dez minutos depois, o telefone tocou.
— Menezes está aí?
André franziu a testa.
— Quem está falando?
A ligação caiu.
Outra chamada chegou.
Depois outra.
André correu até um computador e digitou o número de uma das ocorrências.
Nenhum resultado.
— Não existe — disse um colega.
— Existe sim. Eu trabalhei nela.
Uma investigadora tentou recuperar o histórico.
— André… olha isso.
O arquivo havia sido alterado.
Anexos tinham desaparecido.
Valores estavam diferentes.
André voltou até Menezes.
— Quem consegue apagar uma ocorrência?
O comandante sorriu.
— Você está fazendo a pergunta errada.
— Então qual é a certa?
— Quem consegue fazer isso sem deixar você perceber?
Pouco depois das dez da noite, carros começaram a parar diante da delegacia.
Depois vieram viaturas.
Cinco.
Dez.
Mais.
Um agente correu até André.
— Estão cercando o prédio!
Menezes ouviu e abriu um sorriso.
— Eu avisei que eles viriam.
Mas alguns minutos depois, quando viu quem descia dos veículos, seu rosto mudou.
Uma mulher entrou exibindo a identificação.
— Delegada Helena Vasconcelos. Corregedoria.
Menezes ficou pálido.
Helena olhou para André.
— Foi você quem encontrou os documentos?
— Sim.
— E preservou os celulares?
— Sim.
Ela assentiu.
— Então ninguém sai daqui.
André apontou para Menezes.
— O que está acontecendo?
Helena respondeu:
— Investigamos alterações de ocorrências há meses. Toda vez que chegávamos perto, alguma prova desaparecia.
Três horas depois de André algemar o próprio chefe, dezenas de agentes estavam dentro e ao redor da delegacia preservando computadores, documentos e registros.
Menezes já não sorria.
E André finalmente entendeu.
Aquelas viaturas não tinham chegado para libertar o comandante.
Tinham chegado porque, naquela noite, alguém finalmente impediu que as provas desaparecessem.
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Maycon Teles é o criador do Fábulas Reais, um espaço dedicado a contos emocionantes, narrativas ficcionais, histórias inspiradoras e relatos de superação criados para entreter, emocionar e provocar reflexão. Seu trabalho busca transformar situações marcantes da vida em histórias envolventes, humanas e cheias de emoção.
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