“Riram da moça pobre no baile… até o Cowboy pedir a mão dela “A Escolhida”

“Riram da moça pobre no baile… até o Cowboy pedir a mão dela “A Escolhida”
“Você acha mesmo que esse trapo combina com baile?” a moça de vermelho disparou, alto o bastante para o salão inteiro ouvir. “Olha bem pra ela… veio vestida de pobreza.”
As risadas vieram na mesma hora.

Clara sentiu o rosto arder, mas não abaixou a cabeça. Apertou os dedos no tecido do próprio vestido, simples, costurado por ela mesma nas madrugadas depois da lavanderia. Cada flor bordada na manga tinha sido feita à luz fraca da cozinha, entre um balde de roupa e outro. Não era um vestido caro. Era o único jeito que ela tinha encontrado de chegar ali com um pouco de dignidade.

No baile do laço de Santa Aurora, aquilo parecia crime.

“Devia ter ficado em casa”, outra cochichou, rindo. “Tem lugar que não é pra todo mundo.”

Clara engoliu em seco e foi para uma mesa no canto. O som da música continuava, mas já não entrava direito no peito. Ela pegou um copo d’água com a mão trêmula, tentando segurar o choro.

Foi quando uma das moças passou por ela e bateu de propósito no seu braço.

O copo caiu. Estilhaçou no chão.

“Ops”, a mulher disse com um sorriso torto. “Mão de lavadeira escorrega fácil, né?”

Dessa vez, o salão inteiro olhou.

Clara travou. O peito apertou. O corpo pediu pra fugir.

Só que, antes que ela se abaixasse, uma bota parou ao lado dos cacos.

Miguel Valente.

O cowboy mais respeitado da região se agachou primeiro, recolheu um pedaço de vidro e entregou a um funcionário.

Depois se levantou e encarou as moças com frieza.

“Vestido caro não cobre podridão”, ele disse, sem elevar a voz. “E dinheiro nenhum compra caráter.”

O riso morreu.

Clara olhou para ele sem acreditar. Miguel então virou o rosto, e o olhar firme ficou manso.

“Moça…” Ele estendeu a mão. “Me concede esta dança?”

O salão congelou.

Clara demorou um segundo. “O senhor está falando comigo?”

“Desde a hora que entrei.”

As pernas dela tremeram, mas ela colocou a mão na dele. Miguel a levou para o centro do salão enquanto o povo abria caminho em silêncio.

“Eu não sei dançar direito”, ela sussurrou, nervosa.

“Então dança comigo do seu jeito”, ele respondeu. “E esquece quem nunca mereceu sua atenção.”

A música recomeçou.

No começo, Clara errou dois passos. Miguel segurou firme.

“Olha pra mim”, ele pediu.

Ela olhou.

E ali, no meio daquele salão cheio de vaidade, foi a primeira vez na noite que Clara não se sentiu pequena.

O vestido simples rodou devagar. As flores bordadas nas mangas pareceram ganhar vida sob a luz. E quanto mais ela dançava, mais o salão entendia o que não tinha visto na entrada: Clara não brilhava apesar da simplicidade. Brilhava por causa da força que carregava sem fazer barulho.

Quando a música acabou, vieram aplausos.

Dona Celeste, organizadora do baile, quase se engasgou de raiva. Mandou o filho, Otávio, ir até eles.

“Miguel, isso já foi longe demais”, Otávio disparou. “Essa menina não pertence a esse lugar.”

Miguel se virou devagar.

“Pertencer não é ter sobrenome”, ele respondeu. “É ter alma. E nisso ela sobra.”

Otávio perdeu a cor. Clara ergueu os olhos.

“Por que o senhor está fazendo isso por mim?”, ela perguntou, emocionada.

Miguel sorriu de lado.

“Porque eu cansei de ver gente boa se encolher por causa de gente vazia.” Fez uma pausa. “E porque, desde que você entrou, eu só consigo olhar pra você.”

Na última música da noite, ele não soltou a mão dela.

“Clara… me concede essa dança e todas as outras que vierem depois?”

Ela sorriu com os olhos cheios d’água.

“Concedo.”

Naquela noite, riram da moça pobre no baile. Mas saíram de lá assistindo, em silêncio, a mulher mais desprezada ser a única escolhida pelo homem que ninguém conseguia impressionar.

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