“TE DOU MEU CARRO SE DOMAR ESSE CAVALO” — gargalhou o FAZENDEIRO… mas o velho PEÃO surpreendeu todos…

“TE DOU MEU CARRO SE DOMAR ESSE CAVALO” — gargalhou o FAZENDEIRO… mas o velho PEÃO surpreendeu todos…
Renato gritou no meio do terreiro, rindo alto. “Mas se cair, arruma suas coisas e some da minha fazenda!”
Os peões prenderam a respiração. Seu Cícero, 71 anos, calça surrada, chapéu gasto e mãos marcadas de vida inteira no campo, nem piscou.

“Tudo bem, patrão.”

A gargalhada de Renato Cavalcante ecoou pela fazenda Santa Glória. Dono de gado premiado, relógio caro no pulso e orgulho maior que o curral, ele já tinha visto três domadores profissionais beijarem a lama tentando chegar perto do Sultão, um garanhão de 280 mil reais que não aceitava sela, corda nem toque.

“Esse velho enlouqueceu”, cochichou Marquinhos, arrancando risos.

Mas Cícero não respondeu. Só virou as costas e foi embora no passo calmo de sempre.

Na manhã seguinte, antes do sol subir, metade da fazenda já estava cercando a baia. Renato apareceu com a chave do carro no bolso e o sorriso de quem esperava uma humilhação pública.

“Pode entrar, herói”, debochou. “Hoje eu quero ver milagre.”

Cícero abriu a porteira e entrou sem corda, sem vara, sem pressa.

O Sultão bufou na mesma hora. Bateu casco, girou o corpo e jogou a cabeça para o alto. Dois peões recuaram da cerca.

“Agora ele voa no pescoço do velho”, murmurou um.

Mas Cícero ficou parado. Ombros soltos. Olhar de lado. Respiração tranquila. Não enfrentou o animal. Não desafiou. Só esperou.

O cavalo avançou dois passos, feroz. Renato até se inclinou para frente, pronto para ver a queda. Só que ela não veio.

Cícero falou baixo, quase como quem fala com uma criança assustada:

“Calma… ninguém vai te bater aqui, não.”

O terreiro inteiro silenciou.

O Sultão bufou de novo, mais curto. Depois abaixou o pescoço um pouco. Cícero ergueu a mão, devagar. O cavalo cheirou o ar. Deu mais um passo. Mais outro. Encostou o focinho na palma calejada do velho.

“Meu Deus…”, sussurrou Gilmar, sem acreditar.

Renato perdeu o sorriso.

Durante quase uma hora, Cícero não montou. Só andou ao lado do animal, mão na crina, voz baixa, paciência de pedra. Quando enfim colocou a sela, o Sultão tremeu, mas não reagiu. E quando o velho montou, o cavalo apenas respirou fundo… e andou.

Primeiro devagar. Depois em círculo. Depois trotando leve, como se conhecesse aquele homem fazia anos.

Ninguém falou nada por alguns segundos. Depois vieram palmas, assobios, gritos. Marquinhos tirou o chapéu, envergonhado. Renato ficou imóvel, olhando a própria arrogância cair na lama no lugar do peão.

Quando Cícero desmontou, Renato foi até ele, engolindo seco. Tirou a chave do carro do bolso e estendeu na frente de todos.

“Promessa é dívida. O carro é seu.”

Cícero olhou para a chave, mas não pegou.

“Pode ficar com ele, patrão.”

Renato franziu a testa. “Então o que você quer?”

O velho respirou fundo e encarou o fazendeiro.

“Quero uma casa de verdade pra morar. Vinte e dois anos dormindo naquele quartinho quente, com goteira e janela quebrada. Acho que já trabalhei o bastante pra merecer dignidade.”

O terreiro congelou.

Aquela frase bateu mais forte que qualquer tombo. Renato olhou em volta. Todo mundo de cabeça baixa. Todo mundo sabia. Todo mundo tinha visto. Só ele não.

Sem resposta pronta, sem pose, sem riso, ele assentiu devagar.

“Vai ter sua casa.”

Três semanas depois, Cícero entrou numa casa simples, mas limpa, fresca e só dele. E naquela tarde, enquanto o Sultão pastava manso no campo, Renato entendeu tarde demais: o velho não tinha domado só um cavalo.

Tinha domado o orgulho dele.

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