O próprio filho abandonou o pai doente, vendeu o carro, o trator e sumiu. Anos depois ele volta. Não pra pedir perdão, mas pra exigir ainda mais dinheiro. Pai… Pai!

O próprio filho abandonou o pai doente, vendeu o carro, o trator e sumiu. Anos depois ele volta. Não pra pedir perdão, mas pra exigir ainda mais dinheiro. Pai… Pai!
“Pai! Que saudade… a fazenda tá linda. Sabia que o senhor ia dar a volta por cima.”
A voz de Thiago entrou pelo terreiro como se nunca tivesse ido embora. Encostado na caminhonete nova, óculos escuros no rosto e perfume forte demais pro cheiro de terra, ele abriu os braços com um sorriso pronto. Na varanda, seu Anselmo apertou a bengala com tanta força que os dedos embranqueceram.

“Que você veio fazer aqui, Thiago?” ele perguntou, seco. “Achei que a cidade grande era o seu lugar.”

Thiago subiu os degraus como se ainda fosse dono da casa.

“Pai, eu vim porque surgiu um negócio novo. Investimento bom. Lucro certo. Só preciso de uma ajuda sua pra começar.”

Lucas, que vinha do curral com a camisa suada e o chapéu na mão, parou na hora. O clima pesou.

“Ajuda?”, seu Anselmo repetiu, com a voz trêmula de raiva. “Quando eu caí doente, você não me ajudou nem com um copo d’água. Vendeu meu carro, levou meu trator e sumiu.”

Thiago tirou os óculos, incomodado.

“Eu era novo, pai. Fiquei assustado com a doença. Não sabia lidar com aquilo.”

Lucas deu um passo à frente.

“Assustado? A gente colheu a primeira safra na mão porque você vendeu o único trator. Seu tio quase morreu naquela cama.”

“Fica na sua, Lucas”, Thiago cortou, virando o rosto. “O assunto é com meu pai. Eu sou o filho. O herdeiro legítimo disso tudo.”

Seu Anselmo soltou uma risada amarga.

“Sangue não define família. Caráter, sim. E o seu você vendeu junto com meu carro.”

Thiago respirou fundo, perdendo a paciência.

“Tá bom. Vou falar claro. Eu tô afundado em dívida. Usa a fazenda como garantia no banco. Me salva dessa vez.”

O silêncio caiu pesado no alpendre. Um cachorro latiu ao longe. O vento mexeu a cortina da sala.

Seu Anselmo desceu um degrau com dificuldade, mas com os olhos firmes.

“Eu não faria isso nem se pudesse.”

Thiago arregalou os olhos.

“Como assim?”

“Porque eu não quero te ver nunca mais pisando nas minhas terras.”

Thiago riu sem humor.

“Suas terras? Quando o senhor faltar, isso aqui é meu por direito.”

Lucas abaixou a cabeça por um instante, já prevendo a explosão. Mas seu Anselmo falou com uma calma que doeu mais que grito.

“Aí é que você se engana.”

Thiago franziu a testa.

“O que o senhor fez?”

“Ontem eu fui no cartório.” Seu Anselmo puxou do bolso uma cópia dobrada. “A fazenda, as terras e tudo que construí depois que você me enterrou vivo já estão no nome do Lucas.”

O rosto de Thiago desabou.

“O quê? O senhor deu minha herança pro seu sobrinho? Perdeu o juízo?”

“Não”, respondeu seu Anselmo. “Eu recuperei o meu.”

Thiago apontou pra Lucas, tremendo de ódio.

“Ele te manipulou!”

Lucas finalmente ergueu os olhos.

“Eu só fiz o que você nunca fez. Fiquei.”

Seu Anselmo respirou fundo, segurando a emoção.

“Foi ele quem me deu remédio. Foi ele quem me ergueu da cama. Foi ele quem salvou essa terra enquanto você me abandonava pra morrer.”

Thiago tentou argumentar, mas a voz falhou.

“Pai…”

“Não me chama assim agora.” Seu Anselmo virou o rosto. “Lucas, leva a visita até a porteira. O papo acabou.”

Thiago ficou parado por um segundo, sem acreditar que tinha voltado pra exigir e estava saindo sem nada. Lucas apontou o caminho, firme.

Naquele dia, doeu mais tirar um filho da herança do que perder dinheiro. Mas seu Anselmo entendeu tarde, e entendeu certo: pior que a pobreza é confiar o próprio futuro a quem só aparece quando vê lucro.

E você, acha que ele fez a coisa certa?

Se você acredita que nenhuma dor é maior que a promessa de Deus, comente: EU CREIO!
E diga também: de qual cidade você está nos assistindo?

Comentários

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Fabulas Reais

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading