Ela tinha que fazer tudo enquanto o marido saia com amigos pra festas…

Ela tinha que fazer tudo enquanto o marido saia com amigos pra festas…
“Vai ficar com essa cara de vítima de novo?” Rogério jogou a chave do carro na mesa e nem olhou direito pra esposa. “Eu só vou sair com os caras. Para de drama.”

Na cozinha apertada, com panela no fogo, roupa no varal e o choro do bebê vazando do quarto, Camila segurou o pano de prato com força. O rosto dela estava cansado. O cabelo preso de qualquer jeito. O jantar quase pronto. A casa inteira nas costas.

“Drama?” ela rebateu, virando de frente. “Eu passo o dia correndo com duas crianças, arrumo casa, faço comida, resolvo tudo sozinha… e você fala em drama?”

Rogério deu de ombros.

“Eu trabalho o dia todo também. Mereço me distrair.”

Camila riu sem humor. Um riso doído.

“E eu mereço o quê? Mais uma noite sozinha? Mais uma madrugada esperando você voltar cheiro de bebida, fingindo que tem família?”

Ele pegou o celular, incomodado.

“Não começa. Eu vou sair e pronto.”

Ela apontou para o corredor, onde o filho mais velho observava em silêncio.

“Olha pra ele. Até ele percebeu que você só aparece pra trocar de roupa e ir pra festa.”

Rogério travou por um segundo, mas o orgulho falou mais alto.

“Depois a gente conversa.”

“Não”, ela disse, com a voz firme. “Depois talvez não tenha mais conversa.”

Ele saiu batendo a porta.

Lá fora, o som do carro já ligando foi engolido por uma voz mais velha vinda da varanda ao lado.

“Vai mesmo assim, meu filho?”

Era dona Lúcia, mãe de Rogério, sentada na cadeira de plástico, olhando tudo.

Rogério tentou sorrir.

“Só uma saída rápida, mãe.”

Ela balançou a cabeça.

“Rápida pra você. Pesada pra ela. Você não viu o rosto da Camila? Aquilo não era raiva. Era cansaço de verdade.”

Ele desviou o olhar.

“Mãe, a senhora tá exagerando.”

“Não tô, não.” Ela se levantou devagar. “Mulher não desiste do nada. Ela vai quebrando aos poucos. Primeiro ela reclama. Depois ela chora. Depois ela cala. E quando ela cala, é porque já aprendeu a viver sem você.”

A frase acertou em cheio.

Rogério ficou imóvel perto do portão. Pela primeira vez, a rua cheia e a festa marcada pareceram vazias. Ele lembrou do filho esperando ajuda na lição, da filha chamando por ele, de Camila dormindo no sofá quase toda noite, exausta, sem nem ter com quem dividir o peso da vida.

“E se eu já tiver ido longe demais?”, ele perguntou baixo.

Dona Lúcia respondeu sem aliviar:

“Então corre. Porque amigo de festa não segura casamento. Quem segura é presença.”

Rogério desligou o carro. Entrou em casa com o peito apertado. Encontrou Camila sentada à mesa, limpando uma lágrima antes que as crianças vissem.

“Amor…” A voz dele falhou. “Me desculpa.”

Ela ergueu os olhos, desconfiada.

“Desculpa pelo quê? Pela saída de hoje ou por ter me deixado sozinha esse tempo todo?”

Ele puxou a cadeira e sentou.

“Por tudo. Por ter te transformado em mãe solteira dentro do casamento. Por ter achado que trazer dinheiro bastava. Por ter escolhido rua, barulho e amigo… enquanto você afundava aqui sozinha.”

Camila respirou fundo. O rosto ainda estava ferido por dentro.

“Eu te amei esperando mudança, Rogério. Mas promessa sem atitude machuca mais que ausência.”

Ele segurou a mão dela.

“Então eu não vou prometer. Vou provar. Hoje eu fico. Amanhã eu acordo com as crianças. E daqui pra frente, eu vou ser marido e pai de verdade.”

Do corredor, o filho apareceu devagar.

“Pai… você não vai sair?”

Rogério abriu os braços.

“Não. Hoje eu fico onde eu nunca devia ter saído.”

Camila chorou, mas dessa vez não era só dor. Era o começo de uma chance.

Porque festa acaba. Amigo vai embora. Mas a família que você despreza pode não esperar pra sempre.

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