
QUANDO O FAZENDEIRO PERDEU TUDO NA SECA, UMA PEOA HUMILDE VIU VALOR NO CAVALO QUE NINGUÉM QUERIA
— Cem reais nesse cavalo? Você tá jogando dinheiro fora, Cida!
— Não. Vocês é que estão jogando fora um animal que nunca fez nada errado.
Damázio riu.
— Esse bicho derrubou um homem!
Cida encarou o marchante.
- UM FAZENDEIRO RICO CORTOU A ÁGUA DA PRÓPRIA FILHA — ATÉ QUE ELA DESCOBRIU UMA NASCENTE ESCONDIDA
- “POSSO SER O PAI” — DISSE O FAZENDEIRO… MAS NINGUÉM ESPERAVA O QUE ELE FEZ DEPOIS
- UMA GRANDE VENTANIA ESPALHOU SEMENTES ESTRANHAS PELA FAZENDA DELA… ENTÃO ELA AS RECONHECEU
- UM TORNADO ESPALHOU SEMENTES ESTRANHAS PELA FAZENDA DE UM GAROTO NEGRO… ENTÃO ELE DESCOBRIU A VERDADE
- NINGUÉM QUERIA CUIDAR DO FAZENDEIRO CEGO… ATÉ A ÓRFÃ BATER À SUA PORTEIRA
— Porque o homem cravou a espora nele antes mesmo de montar direito. Eu estava lá. Eu vi.
As gargalhadas diminuíram.
Cida contou as poucas notas que tinha e entregou tudo.
— Vendido.
Ela levou o alazão embora e lhe deu um novo nome.
Cometa.
Durante dias, dormiu perto do cercado, aproximando-se devagar, sem chicote e sem gritos.
Até que, certa manhã, montou nele sem freio.
Cometa caminhou manso.
O cavalo que todos chamavam de amaldiçoado apenas precisava confiar em alguém.
Enquanto isso, seu Dário, antigo dono do animal, estava prestes a perder a fazenda para Damázio.
A seca havia destruído o gado, o pasto e quase toda esperança.
Damázio queria comprar a propriedade porque por dentro dela passava o caminho para a única água que ainda resistia na chapada.
— Venda logo, Dário. Sua terra não vale mais nada.
Cida chegou antes da assinatura.
— Não venda.
O velho mostrou as dívidas.
— E eu faço o quê?
— Me dê sete dias.
— Para quê?
— Para provar que ainda existe um caminho que Damázio não controla.
Naquela semana, o último poço da região secou.
Famílias inteiras precisavam levar os animais até a chapada.
Damázio anunciou:
— Quem quiser passar pela minha estrada vai pagar por cabeça.
Cida avançou.
— Existe outra trilha.
Um vaqueiro riu.
— A trilha da fenda? Aquilo é morte!
— Não se quem for na frente souber ler o chão.
Ela apontou para Cometa.
— Ele sabe.
Poucos tiveram coragem de segui-la.
Seu Firmino foi um deles.
Duda, neta de Dário, também.
Subiram durante a noite.
No meio da serra, Cometa parou diante de uma laje aparentemente firme.
— Anda! — pediu Firmino.
Cida ergueu a mão.
— Se ele parou, ninguém passa.
Ela jogou uma pedra.
A laje cedeu e desapareceu no abismo.
Firmino empalideceu.
— Esse cavalo acabou de salvar todo mundo.
Mais adiante, um bezerro escorregou para a beirada.
Cida passou uma corda pelo animal.
— Cometa, puxa!
O cavalo recuou devagar, cravou os cascos e trouxe o bezerro de volta.
Ao amanhecer, chegaram à chapada.
Mas encontraram homens de Damázio cercando a nascente.
— Água agora tem dono! — gritou um deles.
Cida desmontou.
— Água tem dono sim. Quem tem sede.
Nesse instante, Damázio apareceu com os animais daqueles que haviam escolhido sua “estrada segura”.
A tropa chegava exausta.
A rota de Cida havia sido mais difícil.
Mas todos estavam vivos.
Seu Dário olhou para o povo reunido e finalmente tomou uma decisão.
Rasgou o contrato de venda.
— Minha terra não será usada para vender sede.
Damázio perdeu a fazenda que acreditava já possuir.
E Cometa, o cavalo que ninguém queria, tornou-se o animal mais respeitado da região.
Cida acariciou sua testa.
— Eu falei que o problema nunca foi você.
Naquele dia, todos entenderam que muitas vezes o mundo chama de defeito aquilo que nunca teve paciência para compreender.
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Maycon Teles é o criador do Fábulas Reais, um espaço dedicado a contos emocionantes, narrativas ficcionais, histórias inspiradoras e relatos de superação criados para entreter, emocionar e provocar reflexão. Seu trabalho busca transformar situações marcantes da vida em histórias envolventes, humanas e cheias de emoção.
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