
UMA GRANDE VENTANIA ESPALHOU SEMENTES ESTRANHAS PELA FAZENDA DELA… ENTÃO ELA AS RECONHECEU
— Se não pagar em três meses, o banco toma a fazenda.
Marina apertou a folha da dívida.
— E se eu pagar uma parte?
— Teria que ser uma entrada muito alta.
Ela soltou uma risada amarga.
- UM FAZENDEIRO RICO CORTOU A ÁGUA DA PRÓPRIA FILHA — ATÉ QUE ELA DESCOBRIU UMA NASCENTE ESCONDIDA
- “POSSO SER O PAI” — DISSE O FAZENDEIRO… MAS NINGUÉM ESPERAVA O QUE ELE FEZ DEPOIS
- UM TORNADO ESPALHOU SEMENTES ESTRANHAS PELA FAZENDA DE UM GAROTO NEGRO… ENTÃO ELE DESCOBRIU A VERDADE
- NINGUÉM QUERIA CUIDAR DO FAZENDEIRO CEGO… ATÉ A ÓRFÃ BATER À SUA PORTEIRA
- “Salve meu filho” — sussurrou a grávida caída na chuva, e o fazendeiro viúvo não a abandonou
— Se eu tivesse esse dinheiro, o senhor não estaria aqui.
Naquela mesma tarde, uma tempestade atingiu a propriedade que herdara do avô Anselmo.
O vento arrancou telhas, derrubou cercas e espalhou milhares de sementes negras pelo terreno.
João, o vizinho, pegou uma delas.
— Parece erva daninha. Melhor arrancar tudo.
Marina tomou a semente da mão dele.
— Espera.
Havia um pequeno risco dourado na casca.
Ela correu para dentro de casa e voltou segurando outra semente guardada havia décadas.
— Meu avô me deu essa quando eu era criança.
— É igual.
— Estrela rubra.
A planta que Anselmo dizia ter desaparecido havia mais de vinte anos.
Seguindo o rastro das sementes, Marina encontrou uma entrada escondida sob as ruínas de um velho moinho.
Lá embaixo havia sacos cheios delas, cadernos e uma carta.
Anselmo tinha escondido tudo.
A estrela rubra possuía um óleo com potencial medicinal.
E um poderoso fazendeiro chamado Otávio Ferraz tentara controlar a espécie anos antes.
Quando Anselmo recusou, sua plantação foi misteriosamente destruída.
Dias depois, Otávio apareceu.
— Quanto você quer pela área do moinho?
Marina cruzou os braços.
— Não está à venda.
— Seu banco pensa diferente.
Pouco depois, compradores começaram a abandonar Marina.
Boatos diziam que as sementes eram venenosas.
Então veio o pior.
Durante a madrugada, alguém incendiou a área onde ela cultivava as primeiras mudas.
Marina assistiu às plantas queimarem.
— Acabou… — sussurrou.
Mas cinco dias depois, Camila, uma pesquisadora que a ajudava, chamou Marina às pressas.
— Vem ver isso.
Pequenos brotos verdes atravessavam a terra queimada.
— Como sobreviveram?
Camila abriu um dos cadernos de Anselmo.
— Elas não sobreviveram ao fogo.
Marina franziu a testa.
— Então?
— O fogo fez elas nascerem.
O calor quebrava a casca dura das sementes enterradas havia décadas.
O incêndio que deveria destruir a estrela rubra despertou milhares delas.
E ainda havia mais.
Numa caixa escondida, Marina encontrou gravações e documentos provando que Otávio havia roubado pesquisas do avô.
Um antigo funcionário acabou confessando que, anos antes, contaminara a plantação por ordem dele.
A investigação começou.
Mas Marina ainda tinha a dívida.
Faltavam dezenove dias.
Com os contratos de pesquisa e a criação de uma cooperativa, ela voltou ao banco.
Dias depois, recebeu a ligação.
— Senhora Marina, vamos renegociar sua dívida.
Ela sentou-se.
— A fazenda fica comigo?
— Fica.
Meses depois, uma farmacêutica ofereceu uma fortuna pela exclusividade das sementes.
Marina recusou.
— Vocês podem comprar nossa produção. As sementes, não.
— Está recusando muito dinheiro.
— Meu avô quase perdeu tudo porque um homem quis controlar sozinho aquilo que deveria continuar vivo.
A empresa voltou com outra proposta.
Sem exclusividade.
E Marina aceitou.
A estrela rubra passou a crescer em várias fazendas.
Aquilo que Otávio tentou destruir se multiplicou justamente por causa do fogo.
Porque algumas coisas não desaparecem quando tentam enterrá-las.
Elas apenas esperam o momento certo para nascer de novo.
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Maycon Teles é o criador do Fábulas Reais, um espaço dedicado a contos emocionantes, narrativas ficcionais, histórias inspiradoras e relatos de superação criados para entreter, emocionar e provocar reflexão. Seu trabalho busca transformar situações marcantes da vida em histórias envolventes, humanas e cheias de emoção.
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