
PAGOU R$100 NUM TOURO REJEITADO E ZOMBARAM DELA — UM ANO DEPOIS, OS FAZENDEIROS SUPLICAVAM POR ELE…
— Cem reais nesse lixo? Pode levar! Eu ainda faço questão de rir quando ele morrer no primeiro verão.
Iraci estendeu a nota amassada.
— Fechado.
Seu Getúlio pegou o dinheiro.
— Depois não diga que ninguém avisou.
- UM FAZENDEIRO RICO CORTOU A ÁGUA DA PRÓPRIA FILHA — ATÉ QUE ELA DESCOBRIU UMA NASCENTE ESCONDIDA
- “POSSO SER O PAI” — DISSE O FAZENDEIRO… MAS NINGUÉM ESPERAVA O QUE ELE FEZ DEPOIS
- UMA GRANDE VENTANIA ESPALHOU SEMENTES ESTRANHAS PELA FAZENDA DELA… ENTÃO ELA AS RECONHECEU
- UM TORNADO ESPALHOU SEMENTES ESTRANHAS PELA FAZENDA DE UM GAROTO NEGRO… ENTÃO ELE DESCOBRIU A VERDADE
- NINGUÉM QUERIA CUIDAR DO FAZENDEIRO CEGO… ATÉ A ÓRFÃ BATER À SUA PORTEIRA
Iraci entrou no curral, passou a mão no lombo do bezerro peludo e respondeu:
— Às vezes o problema não está no bicho. Está em quem não sabe enxergar.
Os fazendeiros riram novamente.
Iraci levou o animal para a pequena propriedade que herdara do avô Antero.
Deu a ele o nome de Turco.
O avô criava aquele tipo de gado havia décadas.
Animais menores, rústicos, resistentes ao calor e capazes de sobreviver onde o gado caro sofria.
— Filha, gastou o dinheiro da cerca nisso? — perguntou dona Zulmira, sua mãe.
— Ele não é gasto, mãe.
Iraci olhou para Turco.
— É futuro.
Pouco depois, moradores pobres começaram a levar vacas para cruzar com ele.
Iraci cobrava pouco.
Até que cometeu um erro.
Aceitou animais demais.
Turco enfraqueceu.
Seu Firmo, velho amigo de seu avô, alertou:
— Você está querendo provar rápido demais que eles estavam errados.
Iraci ajoelhou diante do touro abatido.
— Me perdoa. Eu deixei o riso deles mandar em mim.
Suspendeu os cruzamentos.
Perdeu dinheiro.
Aguentou novas zombarias.
Mas Turco se recuperou.
Então veio a pior seca em décadas.
Os pastos desapareceram.
O gado importado dos grandes fazendeiros começou a adoecer.
Touros caríssimos deixaram de reproduzir.
Enquanto isso, Turco continuava de pé.
As vacas cruzadas com ele davam bezerros fortes.
Um comerciante apareceu oferecendo uma fortuna.
— Quanto quer pelo touro?
— Ele não está à venda.
— Todo animal tem preço.
Iraci respondeu:
— Algumas coisas valem mais produzindo futuro do que virando dinheiro hoje.
A notícia correu.
Primeiro apareceu seu Vismar.
Depois Laudelino.
Depois Pompeu.
Os mesmos homens que haviam rido dela.
— Dona Iraci, precisamos do Turco.
— Entrem na fila.
Pompeu arregalou os olhos.
— Atrás dos meeiros?
— Atrás de quem chegou primeiro.
Ela poderia ter cobrado dez vezes mais.
Não cobrou.
Até que apareceu o último.
Seu Getúlio subiu a serra a pé, segurando o chapéu nas mãos.
— Dona Iraci… eu perdi quase tudo.
Ele apontou para Turco.
— Aquele bezerro que vendi por cem reais é minha única chance de reconstruir o rebanho.
— E o senhor quer que eu cobre quanto?
Getúlio abaixou a cabeça.
— O que quiser. Eu mereço.
Iraci respirou fundo.
— Vai pagar o mesmo que todos.
Ele levantou os olhos.
— Depois de eu ter humilhado você?
— Meu avô passou a vida tentando provar que estava certo e terminou amargo. Eu não quero vencer virando aquilo que me feriu.
Getúlio começou a chorar.
— Eu comprei animais caros e desprezei conhecimento.
Iraci chamou Turco com o antigo assobio do avô.
O touro veio.
— O senhor comprou aparência.
Ela acariciou o animal.
— Eu comprei por cem reais aquilo que ninguém mais queria enxergar.
E naquele dia o homem que mais riu descobriu que precisava justamente da mulher que havia humilhado para conseguir recomeçar.
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Maycon Teles é o criador do Fábulas Reais, um espaço dedicado a contos emocionantes, narrativas ficcionais, histórias inspiradoras e relatos de superação criados para entreter, emocionar e provocar reflexão. Seu trabalho busca transformar situações marcantes da vida em histórias envolventes, humanas e cheias de emoção.
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