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MINHA MÃE TÁ MORRENDO E NINGUÉM QUIS AJUDAR — O SENHOR PODE CURAR ELA?

— Moço! Minha mãe tá morrendo! O senhor pode curar ela?

— Eu não sou médico, menino.

O garoto respirou fundo e deu um passo para trás.

— Então deixa. Ninguém quis ajudar mesmo.

Hermes segurou o braço dele.

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— Espera. Onde está sua mãe?

Jacó apontou para perto da cerca.

— Ali.

Hermes correu e encontrou Mirtes caída, apertando a barriga.

— Senhora, consegue levantar?

— Consigo… não quero atrapalhar sua viagem.

Ela tentou ficar de pé e quase caiu.

Hermes a segurou.

— Faz quanto tempo que está assim?

— Cinco dias.

Ele encarou Jacó.

— Vocês procuraram ajuda?

— Eu bati em todas as portas.

— Todas?

— Na botica disseram que não davam remédio fiado. Pedi uma carroça e ninguém quis chegar perto porque acharam que minha mãe tinha doença contagiosa.

Hermes olhou para a bolsa pendurada em seu ombro.

Dentro dela estava o dinheiro de vinte e dois anos de trabalho.

Na manhã seguinte, às dez horas, ele deveria comprar uma terra à beira de um rio.

Era o sonho que tinha planejado durante anos.

— Jacó, pega as coisas dela.

O garoto arregalou os olhos.

— O senhor vai salvar minha mãe?

Hermes colocou Mirtes nos braços.

— Curar eu não sei. Carregar eu sei.

Depois de muito insistir, conseguiu alugar uma carroça.

Partiram ainda naquela tarde.

Durante a madrugada, Jacó percebeu que Hermes não parava de olhar o relógio.

— O senhor tá perdendo alguma coisa por nossa causa?

— Talvez.

— Então volta.

— Não vou voltar.

— Por quê?

Hermes demorou para responder.

— Porque uma vez eu também achei que podia esperar até amanhã.

Ele contou que anos antes recebera um aviso de que seu filho estava doente.

Hermes tinha uma negociação importante acontecendo.

Decidiu terminar o negócio primeiro.

Chegou um dia depois.

O filho já tinha morrido.

— Desde aquele dia — disse Hermes — eu sei o preço de chegar tarde.

Jacó não respondeu.

Só segurou mais forte a mão da mãe.

Quando chegaram ao hospital, o médico examinou Mirtes rapidamente.

— Ela precisa operar agora.

Hermes respirou aliviado.

Até a atendente dizer:

— A internação precisa ser paga antes.

— Quanto?

Ela mostrou o valor.

Jacó abaixou a cabeça.

— A gente não tem.

Hermes olhou para o relógio.

Se saísse naquele instante, ainda conseguiria chegar ao cartório.

Depois olhou para Mirtes.

Abriu a bolsa.

Colocou todo o dinheiro sobre o balcão.

— Pode internar.

— Senhor… isso é quase todo o valor.

— Eu sei.

Às dez horas, enquanto Mirtes era operada, Hermes viu o horário passar.

A terra do rio estava perdida.

Jacó sentou ao lado dele.

— O senhor perdeu seu sonho?

Hermes olhou para a porta da cirurgia.

— Perdi uma terra.

Três horas depois, o médico apareceu.

— Ela sobreviveu.

Jacó começou a chorar e abraçou Hermes.

Anos mais tarde, o menino encontrou aquela velha bolsa vazia pendurada na parede.

— Por que o senhor ainda guarda isso?

Hermes passou a mão nela.

— Porque um dia achei que aqui dentro estava tudo que eu tinha.

— E não estava?

Hermes olhou para Jacó.

— Não. O que importava estava no meio de uma estrada, pedindo para eu não chegar tarde outra vez.

Se você acredita que nenhuma dor é maior que a promessa de Deus, comente: EU CREIO! E diga também: de qual cidade você está nos assistindo?

✍️ Autor: Maycon Teles Criador e editor do Fábulas Reais

Maycon Teles é o criador do Fábulas Reais, um espaço dedicado a contos emocionantes, narrativas ficcionais, histórias inspiradoras e relatos de superação criados para entreter, emocionar e provocar reflexão. Seu trabalho busca transformar situações marcantes da vida em histórias envolventes, humanas e cheias de emoção.

Aviso ao leitor: Esta é uma obra de ficção criada para entretenimento e reflexão. Nomes, personagens, locais e acontecimentos podem ser fictícios ou ter sido adaptados para fins narrativos. Qualquer semelhança com pessoas ou eventos reais é mera coincidência.

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