Eu Trabalho Por Duas, Só Não Me Expulse, Implorou A Moça Ao Homem Que Vivia No Sítio Abandonado

— Eu trabalho por duas, seu Macário. Só não me expulse daqui!

— E quem autorizou a senhora a pegar minha enxada?

Flaviana segurou firme o cabo.

— Ninguém. Eu bati palma, o senhor não respondeu… então comecei a trabalhar. Se o senhor visse serviço feito, talvez não mandasse só mais uma pessoa embora.

Macário olhou os cinco canteiros capinados.

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— Qual seu nome?

— Flaviana.

— Hoje a senhora come e dorme. Amanhã eu levo até a estrada.

— Mas eu não tenho para onde ir!

Ele respirou fundo.

— E eu não tenho casa para oferecer. Esse sítio também não é meu.

Macário vivia ali havia doze anos, desde que perdera suas próprias terras para o banco depois de uma seca devastadora. O verdadeiro dono daquele sítio havia morrido, e ninguém aparecera desde então.

Na manhã seguinte, Flaviana já estava trabalhando outra vez.

— Eu mandei a senhora se preparar para ir.

— E eu falei que trabalho por duas.

Ele quase respondeu, mas desistiu.

— Fica até domingo. Depois conversamos.

Os dias viraram semanas.

Flaviana cozinhava, plantava, consertava cercas e ainda ajudava Macário a organizar seu maior tesouro: dezenas de variedades antigas de sementes que ele emprestava gratuitamente aos agricultores da região.

Até que ele percebeu algo.

— Flaviana… você está grávida?

Ela largou a bacia.

— Quatro meses.

— Por que escondeu?

— Porque ninguém aceita mulher grávida.

Macário franziu a testa.

— E aquele negócio de trabalhar por duas?

Ela colocou a mão sobre a barriga.

— Eu estava falando a verdade.

O pai da criança tinha desaparecido. A própria mãe de Flaviana a expulsara por vergonha dos comentários.

— Se quiser me mandar embora agora, eu vou.

Macário pegou a enxada.

— Amanhã a fava precisa de água antes do sol nascer.

Foi a maneira dele dizer que ela ficava.

Meses depois, porém, um carro apareceu na porteira.

Olavo, filho do antigo proprietário, trouxe a escritura.

— O sítio foi vendido. Você tem trinta dias para sair.

Macário sentiu sua velha história se repetir.

Poderia lutar na Justiça.

Mas lembrou da família que perdera anos antes tentando salvar outra terra.

— Dessa vez eu não vou perder gente para segurar chão.

Quando os agricultores souberam, aconteceu o inesperado.

Dedé, um deles, apareceu com uma proposta.

— Tenho seis hectares parados. Você pode levar as sementes para lá.

— Quanto quer de aluguel?

— O mesmo que você cobrou de mim todos esses anos.

Macário estranhou.

— Eu nunca cobrei nada.

Dedé sorriu.

— Exatamente.

Onze pessoas apareceram para fazer a mudança.

Carregaram prateleiras, latas, garrafas e sementes.

Nada ficou para trás.

Pouco depois, numa casa simples construída no novo terreno, Flaviana deu à luz uma menina.

Macário segurou o bebê nos braços.

— Qual vai ser o nome?

— Esperança.

Ele olhou para aquela criança e finalmente entendeu.

Durante anos, acreditara que segurança significava possuir terra.

Mas quando perdeu tudo novamente, não foi uma escritura que o salvou.

Foram as pessoas que um dia receberam suas sementes.

Porque terra pode ser tomada.

Casa pode ser perdida.

Dinheiro pode acabar.

Mas aquilo que você planta na vida de alguém pode continuar crescendo muito depois de você.

Se você acredita que nenhuma dor é maior que a promessa de Deus, comente: EU CREIO! E diga também: de qual cidade você está nos assistindo?

✍️ Autor: Maycon Teles Criador e editor do Fábulas Reais

Maycon Teles é o criador do Fábulas Reais, um espaço dedicado a contos emocionantes, narrativas ficcionais, histórias inspiradoras e relatos de superação criados para entreter, emocionar e provocar reflexão. Seu trabalho busca transformar situações marcantes da vida em histórias envolventes, humanas e cheias de emoção.

Aviso ao leitor: Esta é uma obra de ficção criada para entretenimento e reflexão. Nomes, personagens, locais e acontecimentos podem ser fictícios ou ter sido adaptados para fins narrativos. Qualquer semelhança com pessoas ou eventos reais é mera coincidência.

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