ELA FOI ENTREGUE EM CASAMENTO A UM HOMEM DO SERTÃO — MAS ELE ESCONDIA UM SEGREDO

— Arruma suas coisas. Seu marido veio te buscar.

— Meu marido? Pai, eu nunca vi esse homem!

— Minha palavra já foi dada, Lourdes.

Ela encarou o pai.

— E a minha palavra não vale nada?

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Ele virou o rosto.

— Severino pagou nossa dívida. Você vai com ele hoje.

Lourdes sentiu o sangue gelar.

Do lado de fora, um homem alto esperava junto à charrete.

Ela colocou dois vestidos, o terço da mãe e uma fotografia velha dentro da mala.

Quando passou pelo pai, esperou um abraço.

Recebeu apenas uma ordem:

— Seja obediente.

Durante horas, Lourdes viajou ao lado de Severino sem dizer quase nada.

Até perguntar:

— Quanto o senhor pagou por mim?

Ele puxou as rédeas.

— Eu não paguei por você.

— Meu pai disse que o senhor quitou a dívida.

— Quitei.

— Então qual é a diferença?

Severino não respondeu.

Naquela noite, Lourdes entrou no quarto preparada para o pior.

Mas Severino deixou a mala perto da cama.

— Esse quarto é seu.

— E o senhor?

— Durmo no outro.

Ela desconfiou.

— Não vai entrar aqui?

Severino encarou Lourdes.

— Só se você me chamar.

Nos dias seguintes, aconteceu algo ainda mais estranho.

Ele não dava ordens.

Não tocava nela.

Quando Lourdes ia à igreja, Severino preparava o cavalo e dizia:

— Volte quando quiser.

Aquilo começou a assustá-la mais que a brutalidade que esperava.

Até que uma tarde ela ouviu dona Firmina, a cozinheira, dizer:

— Severino prometeu proteger você muito antes desse casamento.

Lourdes largou a colher.

— Prometeu para quem?

A mulher empalideceu.

— Pergunte a ele.

Naquela noite, Lourdes foi direto à varanda.

— Que promessa foi essa?

Severino demorou.

— Sua mãe me salvou quando perdi minha esposa e meu filho para uma doença.

Lourdes ficou sem reação.

— Minha mãe conhecia o senhor?

— Antes de morrer, ela me chamou.

Ele respirou fundo.

— Seu pai devia dinheiro a Aristides.

Lourdes conhecia aquele nome.

Um homem violento que vivia aparecendo em sua casa.

— Ele queria você como pagamento.

— Meu Deus…

— Sua mãe segurou minha mão e pediu: “Não deixa minha filha cair nas mãos dele.”

Lourdes começou a chorar.

— Então o senhor casou comigo por promessa?

— Casei para impedir que ele levasse você.

Severino abriu a porta da casa.

— Mas escute bem. Você não pertence a mim.

— O que está dizendo?

— Se quiser partir amanhã, eu preparo seu cavalo e entrego dinheiro para sua viagem.

Lourdes ficou olhando aquele homem que poderia ter usado uma dívida para dominá-la, mas estava oferecendo liberdade.

— E se eu ficar?

— Só fique se for escolha sua.

Ela caminhou até Severino.

— Então olha para mim.

Ele levantou os olhos.

— Eu quero ficar.

— Pela promessa?

Lourdes pegou a mão dele.

— Não. Porque pela primeira vez alguém me deu o direito de escolher.

Severino não a abraçou.

Esperou.

Foi Lourdes quem deu o último passo.

E naquele instante ela entendeu que o segredo daquele homem não era crueldade.

Era uma promessa feita à sua mãe.

Uma promessa de protegê-la sem jamais transformá-la em propriedade.

Se você acredita que nenhuma dor é maior que a promessa de Deus, comente: EU CREIO! E diga também: de qual cidade você está nos assistindo?

✍️ Autor: Maycon Teles Criador e editor do Fábulas Reais

Maycon Teles é o criador do Fábulas Reais, um espaço dedicado a contos emocionantes, narrativas ficcionais, histórias inspiradoras e relatos de superação criados para entreter, emocionar e provocar reflexão. Seu trabalho busca transformar situações marcantes da vida em histórias envolventes, humanas e cheias de emoção.

Aviso ao leitor: Esta é uma obra de ficção criada para entretenimento e reflexão. Nomes, personagens, locais e acontecimentos podem ser fictícios ou ter sido adaptados para fins narrativos. Qualquer semelhança com pessoas ou eventos reais é mera coincidência.

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