
AS VACAS FICAVAM TODAS AS MANHÃS EMBAIXO DA MESMA ÁRVORE… QUANDO O FAZENDEIRO FOI VER, FICOU ARREPIADO
— Essas vacas estão ficando malucas! Tira todas daí antes que eu perca o rebanho!
O funcionário apontou para a velha macieira.
André respondeu na hora:
— Ninguém vai tocar nelas até eu descobrir o que está acontecendo.
Havia cinco manhãs que as vacas abandonavam o feno fresco e caminhavam juntas até aquela árvore no canto mais antigo da fazenda.
- UM FAZENDEIRO RICO CORTOU A ÁGUA DA PRÓPRIA FILHA — ATÉ QUE ELA DESCOBRIU UMA NASCENTE ESCONDIDA
- “POSSO SER O PAI” — DISSE O FAZENDEIRO… MAS NINGUÉM ESPERAVA O QUE ELE FEZ DEPOIS
- UMA GRANDE VENTANIA ESPALHOU SEMENTES ESTRANHAS PELA FAZENDA DELA… ENTÃO ELA AS RECONHECEU
- UM TORNADO ESPALHOU SEMENTES ESTRANHAS PELA FAZENDA DE UM GAROTO NEGRO… ENTÃO ELE DESCOBRIU A VERDADE
- NINGUÉM QUERIA CUIDAR DO FAZENDEIRO CEGO… ATÉ A ÓRFÃ BATER À SUA PORTEIRA
Não comiam.
Não disputavam espaço.
Apenas ficavam reunidas, olhando para o chão.
— Deve ter cobra aí — insistiu o funcionário.
— Então hoje eu descubro.
André pegou uma lanterna e atravessou o pasto.
Quando chegou perto, uma das vacas mais velhas, Mimosa, começou a mugir baixinho.
— O que você está tentando me mostrar?
Ela raspou o chão com o casco.
André afastou as folhas.
Encontrou uma corda praticamente desfeita pelo tempo.
Puxou.
Na ponta havia uma pequena placa enferrujada.
Ele limpou com a camisa.
Ainda dava para ler uma palavra:
BONYA.
— Que nome é esse?
Nenhum funcionário soube responder.
André levou a placa para casa e colocou diante do pai, seu Geraldo, que já passava dos oitenta anos.
— Pai, encontrei isso debaixo da macieira.
O velho deixou a xícara cair sobre a mesa.
— Onde você achou?
— No pasto. As vacas ficam lá todas as manhãs.
Geraldo segurou a placa com as duas mãos.
— Bonya…
André percebeu os olhos do pai se enchendo.
— O senhor conhecia?
— Foi minha primeira vaca.
André ficou surpreso.
Geraldo contou que, quarenta anos antes, quando não tinha dinheiro nem para completar a feira, comprara Bonya com tudo que possuía.
— Ela sustentou esta família, filho. O leite dela comprou seus primeiros cadernos.
— E por que eu nunca soube disso?
O velho respirou fundo.
— Porque depois que ela morreu, eu enterrei debaixo daquela árvore. Doeu tanto que parei de falar nela.
Na manhã seguinte, André levou o pai ao pasto.
Quando Geraldo apareceu, aconteceu algo que fez os dois pararem.
As vacas abriram espaço.
Nenhuma correu.
Nenhuma mugiu alto.
Geraldo caminhou até a macieira e encostou a mão no tronco.
— Me desculpa por demorar tanto para voltar, Bonya.
Mimosa aproximou-se e encostou o focinho no ombro dele.
Geraldo começou a chorar.
— Pai…
— Eu achava que só eu lembrava.
André olhou para o rebanho reunido ao redor daquela árvore.
Nunca soube explicar se os animais realmente compreendiam quem estava enterrado ali.
Mas, daquele dia em diante, proibiu que cortassem a macieira.
Mandou restaurar a pequena placa e colocou outra ao lado:
“Aqui descansa quem ajudou esta família a começar.”
E todas as manhãs, algumas vacas ainda voltavam para aquele lugar.
Como se certas histórias não precisassem de palavras para permanecer vivas.
Se você acredita que nenhuma dor é maior que a promessa de Deus, comente: EU CREIO! E diga também: de qual cidade você está nos assistindo?
Maycon Teles é o criador do Fábulas Reais, um espaço dedicado a contos emocionantes, narrativas ficcionais, histórias inspiradoras e relatos de superação criados para entreter, emocionar e provocar reflexão. Seu trabalho busca transformar situações marcantes da vida em histórias envolventes, humanas e cheias de emoção.
Views: 214
