
SE ME DEIXAR FICAR… EU CUIDO DAS OVELHAS” disse a JOVEM GRÁVIDA ao FAZENDEIRO VIÚVO…mas ele hesitou…
“Se me deixar ficar… eu cuido das ovelhas.”
Ela já tinha a Barriga gigante por causa da gravidez, roupa empoeirada da estrada e uma sacola pequena na mão. Do outro lado, Anselmo, viúvo, dono de poucas palavras e de muitas cicatrizes, segurou a porteira sem abrir.
“Aqui não é lugar pra mulher grávida”, ele respondeu, seco. “O serviço é pesado.”
“Eu sei trabalhar, senhor. Só peço uma chance.”
Ele mediu a moça de cima a baixo. Cansada, sim. Fraca, não. Nos olhos dela havia aquele tipo de desespero que só aparece quando a pessoa já perdeu quase tudo e ainda assim se recusa a cair.
“Seu nome?”
“Helena.”
“E pra onde está indo?”
Ela baixou os olhos por um segundo. “Pra lugar nenhum. Não tenho pra onde ir.”
Anselmo respirou fundo, olhando o céu já escurecendo. Desde que a esposa morreu, aquela casa tinha ficado grande demais pro silêncio dele. Ainda assim, não gostava de encrenca.
“As ovelhas ficam no galpão do fundo”, ele disse por fim. “Amanhã cedo você me mostra o que sabe fazer.”
Helena quase desabou de alívio. “Obrigada, senhor.”
“Não agradece antes da hora. Se não der conta, vai embora.”
Na manhã seguinte, antes do sol nascer, ela já estava de pé. Amarrou o cabelo, prendeu a barra do vestido velho e entrou no curral sem esperar ordem. Quando Anselmo apareceu, viu duas ovelhas já separadas, água trocada e o chão varrido.
“Quem te ensinou isso?”, ele perguntou, surpreso.
“Meu pai criava bicho no interior. Aprendi pequena.”
Os dias passaram assim. Helena fazia o que podia e mais um pouco. Não reclamava da dor nas costas, nem do frio da madrugada. Falava com os animais como quem entendia de ferida. E, aos poucos, até as ovelhas mais ariscas se acalmavam com a presença dela.
Mas nem todo mundo gostou.
Numa tarde, Jonas, capataz antigo da fazenda, puxou Anselmo pelo braço.
“O senhor vai mesmo deixar essa moça ficar? Sozinha, grávida, sem passado explicado? Isso cheira a problema.”
Anselmo fechou o rosto. “Ela trabalha mais que muito homem daqui.”
Jonas insistiu. “E se essa criança nem for dela de verdade? Tem gente esperta no mundo.”
Helena ouviu. Estava atrás da parede do depósito com um saco de ração nas mãos. Entrou devagar, mas com o rosto queimando.
“Não preciso mentir pra conseguir teto”, ela disse, encarando Jonas. “Passei fome, dormi em estrada e enterrei a pouca vergonha que me restava no dia em que fui expulsa de casa.”
Anselmo virou na hora. “Expulsa?”
Helena segurou o choro, mas falou.
“O pai da criança me prometeu casamento. Quando contei da gravidez, ele sumiu. Minha madrasta disse que eu era uma mancha dentro de casa. Meu pai abaixou a cabeça. Eu saí sem nada.”
O silêncio pesou no galpão.
Jonas ainda soltou um riso torto. “História bonita. Fácil de contar.”
Antes que Helena respondesse, uma ovelha prenha começou a se debater no cercado. Anselmo correu, mas viu na hora que o parto estava atravessado. Helena largou tudo e ajoelhou na palha.
“Segura a lanterna!”, ela gritou.
“Você sabe fazer isso?”, Anselmo perguntou.
“Se quer salvar os dois, confia em mim!”
Com as mãos firmes e a voz calma, ela guiou o parto até o cordeirinho sair. A ovelha tombou exausta. O filhote berrou. E Anselmo ficou parado, olhando aquela jovem abandonada salvar duas vidas com a coragem que muita gente ali não tinha.
Naquela noite, ele deixou uma caneca de leite quente na mesa dela.
“Você não fica no galpão mais”, disse. “Vai pro quarto de hóspedes.”
Helena ergueu os olhos, sem acreditar. “Senhor…”
“E para de me chamar de senhor. Meu nome é Anselmo.”
Ela sorriu pela primeira vez.
Meses depois, quando o bebê nasceu e o choro dele encheu a casa vazia, Anselmo entendeu o que hesitou em admitir desde o começo: Helena não trouxe problema para aquela fazenda. Trouxe vida.
Se você acredita que nenhuma dor é maior que a promessa de Deus, comente: EU CREIO!
E diga também: de qual cidade você está nos assistindo?
Deixe uma resposta