
A AGENTE DE TRÂNSITO MULTOU UM CARRO… SEM NOTAR O MILIONÁRIO, ATÉ QUE ELE ABAIXOU O VIDRO E…
“Vai multar mesmo? Então multa direito… e olha na minha cara antes.”
A frase veio de dentro do carro preto, com vidro fumê abaixando devagar no meio da avenida. Ana já estava com a caneta na mão, pronta para prender a notificação no para-brisa, irritada com mais um carrão parado em vaga proibida.
“Ótimo”, ela respondeu, seca. “Porque tem gente que acha que dinheiro compra até calçada.”
Mas quando se inclinou e viu o homem ao volante, o corpo travou.
O rosto. A voz. Os olhos.
“Murilo?”
Do outro lado do volante, ele ficou branco.
“Ana…”
O barulho da avenida pareceu sumir por um segundo. O trânsito continuava correndo, os ônibus passando, gente apressada cruzando a faixa, mas ali, entre a multa e o vidro abaixado, só existiam os dois e dez anos mal enterrados.
Ana recuou um passo, como se a distância pudesse apagar o choque.
“Então é seu esse carro”, ela disse, engolindo seco. “Combina. Some da vida dos outros, reaparece rico e ainda estaciona em local proibido.”
Murilo soltou o ar devagar. Estava de terno escuro, relógio caro, barba bem feita. Não tinha mais nada do rapaz magro que esperava por ela na saída do curso técnico com pão de queijo na mochila e promessa no olhar.
“Eu não sabia que era você.”
“Mas eu sei exatamente quem você é.”
Ela ergueu o bloco de infração como escudo.
“Agente Ana Oliveira. E hoje você é só mais um motorista irregular.”
Murilo assentiu devagar, sem discutir.
“Então faz seu trabalho.”
Ana esperava arrogância. Carteirada. Algum nome importante sendo jogado na cara dela. Mas ele só ficou ali, quieto, recebendo cada palavra como se merecesse.
Ela preencheu a multa com os dedos trêmulos. Tentou manter a postura, só que o peito estava em guerra. Dez anos antes, Murilo tinha desaparecido sem explicação, sem bilhete, sem despedida. Uma semana antes de fugirem do aluguel atrasado e do bairro apertado para tentar vida nova juntos.
“Aqui.” Ela estendeu a autuação. “Assina.”
Murilo pegou o papel, mas antes de devolver, falou baixo:
“Você ainda acha que eu fui embora porque quis.”
Ana riu sem humor.
“Não me vem com história agora.”
“Meu pai foi preso naquela semana, Ana.”
Ela congelou.
Murilo apertou o volante.
“Devia dinheiro pra gente perigosa. Levaram tudo. Disseram que, se eu ficasse, iam atrás de você também.”
Ana sentiu o ar falhar.
“Por isso eu sumi. Me mandaram embora naquela madrugada. Sem telefone. Sem nada. Eu passei anos tentando voltar limpo.”
“Mentira.”
“Não é.” Ele abriu o porta-luvas com mão firme e tirou um envelope amassado. “Eu carrego isso desde então.”
Ana pegou. Era uma foto antiga dos dois, dobrada nas pontas. Atrás, a letra dele:
Se eu não voltar agora, é porque voltar pode te destruir.
Os olhos dela encheram antes que conseguisse impedir.
“Você podia ter dado um jeito…”
Murilo assentiu, com a voz quebrada.
“Devia ter dado. Esse é o peso que eu carrego. Mas todo carro que eu paro errado, toda rua que eu viro, eu ainda procuro você.”
A avenida voltou com tudo. buzina, freio, calor, sirene ao longe.
Ana respirou fundo, guardou a multa no bolso dele com a própria mão e disse:
“A infração continua valendo.”
Murilo soltou um riso fraco, molhado de emoção.
“Justo.”
Ela encarou aqueles olhos que um dia chamaram de lar.
“Mas a conversa… essa você ainda me deve inteira.”
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