
“SE ME DEIXAR FICAR… EU CUIDO DAS OVELHAS” disse a JOVEM GRÁVIDA ao FAZENDEIRO VIÚVO…mas ele hesitou…
“Se veio atrás de esmola, pode voltar pela estrada.”
Tomás falou sem sair do alpendre. A voz era seca. O olhar, mais duro ainda. Mas a jovem grávida não baixou a cabeça.
Mara apertou a mochila rasgada contra o corpo, sentiu a poeira grudada nas sandálias destruídas e respondeu com firmeza:
“Eu não quero esmola. Se o senhor me deixar ficar… eu cuido das ovelhas.”
O vento passou entre os dois. Lá no pasto, ovelhas magras rodeavam um cocho quase seco. Tomás olhou para a barriga de seis meses, depois para os pés inchados dela.
“Você mal consegue se manter em pé.”
“Consigo trabalhar.”
Ele hesitou. Havia dois anos que a fazenda Boa Vista só sobrevivia. Desde que a esposa morreu, Tomás fazia o mínimo. Os peões foram embora. O pasto secou. As ovelhas ficaram largadas. E ele também.
“Tem um quarto velho no fundo”, disse por fim. “Mas é temporário.”
Mara assentiu.
“Temporário já salva.”
Na manhã seguinte, antes do sol nascer, Tomás acordou com um barulho diferente no terreiro. Saiu desconfiado. Encontrou Mara no curral, com a barra do vestido presa na cintura, separando as ovelhas mais fracas, enchendo água, limpando ferida, consertando cerca com um pedaço de arame.
Ele franziu a testa.
“Quem mandou mexer nisso tudo?”
Ela nem virou.
“As ovelhas estavam pedindo socorro faz tempo.”
Tomás não respondeu. Só ficou olhando.
Os dias passaram. Mara trabalhava sem reclamar. Se chovia, ela estava no pasto. Se ventava, também. Numa madrugada gelada, uma ovelha entrou em parto difícil. Mara ajoelhou na lama e salvou a cria sozinha. Naquela noite, encontrou uma panela de sopa quente sobre a mesa. Não havia bilhete. Não precisava.
Aos poucos, o silêncio entre os dois mudou.
No jantar, Tomás perguntou:
“Quem te ensinou a cuidar assim?”
“Mãe. Antes de morrer.”
Ele baixou os olhos.
“Minha esposa era igual. Também falava com as ovelhas como se fossem gente.”
Mara soltou um sorriso pequeno.
“Às vezes elas entendem melhor que muita gente.”
Foi nesse momento que alguém decidiu destruir a paz dos dois.
Gilberto, cunhado de Tomás, apareceu dias depois com sorriso falso e olho de cobiça. Observou a fazenda viva de novo, o rebanho melhorando, Mara andando pelo terreiro com a barriga pesada.
Na cidade, ele começou a espalhar veneno.
“Essa moça chegou do nada. Vai levar tudo do Tomás.”
A fofoca cresceu. O pai da criança reapareceu. E, junto com Gilberto, tentou pressionar Mara.
No portão, Renato ergueu a voz:
“Essa filha também é minha.”
Tomás deu um passo à frente.
“Pai não é quem aparece quando convém. Some daqui.”
Mas o golpe pior veio em papel: Gilberto entrou com processo para tomar a fazenda.
Tomás sentou à mesa, derrotado.
“Acabou. Eu devia ter te mandado embora antes.”
Mara puxou os documentos organizados numa caixa e encarou o fazendeiro.
“Olha pra mim.”
Ele olhou.
“Eu cheguei sem nada. E mesmo assim fiquei. Não é agora que eu vou correr.”
Com ajuda de uma advogada jovem da cidade vizinha, ela reuniu recibos, provas e verdades que Gilberto achava enterradas. Na audiência, o juiz desmontou a fraude. Gilberto saiu humilhado. Renato perdeu o pedido que tinha feito só por interesse.
Dias depois, no fim da tarde, Tomás sentou ao lado de Mara na varanda. Esperança, a bebê, dormia no colo dela. As ovelhas pastavam em paz.
Ele respirou fundo.
“Quando você chegou, pediu abrigo pra cuidar das ovelhas.”
Mara olhou para ele em silêncio.
Tomás continuou:
“E acabou cuidando de tudo que eu tinha deixado morrer aqui dentro também.”
Ela sorriu, com os olhos marejados.
“Então eu posso ficar?”
Tomás segurou a emoção antes de responder:
“Você já é casa.”
E naquela fazenda esquecida pelo tempo, dois corações quebrados descobriram que Deus ainda sabia escrever recomeços.
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