“MINHA FILHA PRECISA DE VOCÊ” — DISSE O FAZENDEIRO VIÚVO AO IMPLORAR PARA A CRIADA NÃO IR EMBORA…

“MINHA FILHA PRECISA DE VOCÊ” — DISSE O FAZENDEIRO VIÚVO AO IMPLORAR PARA A CRIADA NÃO IR EMBORA…
“Arruma suas coisas e vai embora hoje.” Lúcia congelou com a trouxa na mão, mas quem chorou foi a bebê no colo dela. Beatriz esticou os bracinhos, desesperada, como se já entendesse que perder aquela mulher era perder o pouco de colo que conhecia.

Arlindo viu a cena da porta da cozinha e sentiu o chão fugir. A filha soluçava, vermelha, chamando por Lúcia do jeito que uma criança pequena chama sem saber falar. E Lúcia, com os olhos marejados, tentava se manter firme.

“Eu preciso ir, seu Arlindo.”

Ele tirou o chapéu devagar. A voz saiu baixa, quebrada.

“Não vai, não. Minha filha precisa de você.”

O vento seco atravessou o terreiro, mas dentro daquela cozinha o ar pesou. Havia seis meses que Lúcia trabalhava na fazenda. Chegara calada, desconfiada, trazida por dona Conceição para cuidar da casa e da menina depois que Mariana morreu. Desde então, a casa que vivia muda reaprendeu a ter som. Panela cedo. Cantiga baixa. Risada de bebê.

Antes dela, Arlindo só existia. Vivia de pé, mas por dentro parecia enterrado junto com a esposa. Fazia o básico por Beatriz, trocava, dava comida, punha pra dormir. Mas faltava presença. Faltava alma. E criança sente isso.

Lúcia sentiu já no primeiro dia.

“Ela chora pedindo colo”, disse uma vez, firme, segurando Beatriz no ombro.

Arlindo endureceu. “Eu trabalho o dia inteiro.”

“E ela continua sendo sua filha o dia inteiro”, Lúcia respondeu.

Aquilo doeu mais que ofensa. Porque era verdade.

Aos poucos, Beatriz mudou com Lúcia. Parou de se assustar com qualquer barulho. Voltou a rir. Batia palminha quando ouvia a voz dela. E Arlindo, de longe, começou a perceber o tamanho do vazio que tinha deixado crescer dentro da própria casa.

Mas Lúcia também carregava ferida. Firmino, o capataz, foi quem contou sem contar.

“Mulher que já foi humilhada não espera carinho de homem nenhum. Espera ataque.”

E era isso. Lúcia se afastava de Arlindo sempre que podia. Falava pouco. Confiava menos ainda. Até a noite em que Beatriz queimou em febre.

“Arlindo, acorda!” ela gritou, batendo na porta.

Ele correu, viu a filha ardendo e travou. A lembrança da esposa morrendo voltou inteira. O desespero o deixou sem força.

Lúcia encarou aquele homem grande, perdido no corredor, e falou duro:

“Ou o senhor entra nesse quarto como pai, ou vai perder mais uma vez o momento em que ela mais precisa.”

A frase entrou nele como faca. Arlindo entrou. Sentou ao lado da menina. Segurou a mãozinha quente. Não saiu dali nem quando o médico chegou, nem quando o sol nasceu. E foi naquela madrugada que algo começou a mudar.

Uma semana depois, Lúcia anunciou que iria embora. Tinha conseguido serviço em outra cidade. Disse aquilo olhando para o fogão, sem coragem de olhar para Beatriz.

À noite, Arlindo a encontrou na varanda com a menina dormindo no colo.

“Eu não sei pedir bonito”, ele disse, engolindo o orgulho. “Mas sei reconhecer milagre quando vejo um. Você devolveu vida pra essa casa.”

Lúcia apertou Beatriz contra o peito.

“Eu não quero atrapalhar.”

“Você não atrapalhou nada”, ele respondeu, com a voz falhando. “Você salvou minha filha. E me salvou junto.”

Ela enfim olhou para ele.

“E se um dia o senhor mudar?”

Arlindo deu um passo, sem invadir.

“Então me cobra. Mas não vai embora por medo do homem que eu já não quero mais ser.”

Beatriz se mexeu no colo de Lúcia e, sonolenta, agarrou o vestido dela. Lúcia fechou os olhos. Quando abriu, a decisão já estava feita.

“Eu fico.”

Naquela casa, o silêncio morreu ali.

E às vezes Deus não manda resposta. Manda uma pessoa… e manda na hora exata.

Se você acredita que nenhuma dor é maior que a promessa de Deus, comente: EU CREIO!
E diga também: de qual cidade você está nos assistindo?

Comentários

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Fabulas Reais

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading