
“Se me deixar ficar, cuido da sua mãe…” implorou a jovem. Mas o fazendeiro reparou na mala
— Se me deixar ficar, eu cuido da sua mãe, faço comida, limpo a casa… não quero salário. Só não me mande de volta pra estrada.
Mateu fechou a porteira.
— Não posso.
A jovem segurou a madeira antes que ele terminasse.
— Por favor. Só esta noite.
- OS FILHOS OS EXPULSARAM SEM PIEDADE… MAS A CASA ABANDONADA ESCONDIA UM SEGREDO DE MILHÕES
- ELE FICOU RICO E VOLTOU PELOS PAIS… SEM SABER QUE OS PRÓPRIOS IRMÃOS OS TINHAM ABANDONADO
- UM FAZENDEIRO RICO CORTOU A ÁGUA DA PRÓPRIA FILHA — ATÉ QUE ELA DESCOBRIU UMA NASCENTE ESCONDIDA
- ELE VOLTOU MAIS CEDO E OUVIU A PRÓPRIA MÃE HUMILHAR A ESPOSA — SÓ ENTÃO ENTENDEU O SILÊNCIO DELA
- MÃE SOLTEIRA ACEITA DAR BANHO NO MILIONÁRIO — E TUDO MUDA ENTRE OS DOIS
— Eu disse que não.
— Mateu! Deixa a guria entrar!
Dona Assunta gritava da varanda, presa à cadeira de rodas.
— Mãe, a senhora nem sabe quem ela é!
— E tu sabe o que acontece com uma mulher sozinha nessa estrada depois que escurece?
Mateu respirou fundo.
Foi quando reparou na mala que ela apertava contra o peito.
— O que tem aí dentro?
A jovem recuou.
— Coisas minhas.
— Está fugindo de alguém?
Ela não respondeu.
Mateu apontou para a casa.
— Uma noite. Amanhã você vai embora.
— Obrigada.
— Seu nome?
Ela hesitou.
— Lúcia.
Na manhã seguinte, Mateu acordou com cheiro de café e pão.
Mas o que realmente o surpreendeu foi encontrar Lúcia ajudando dona Assunta.
— Apoia meu braço, minha filha.
— Devagar. Assim não força sua coluna.
Mateu estreitou os olhos.
— Quem ensinou você a cuidar de doente desse jeito?
Lúcia congelou.
— A vida.
Os dias passaram.
Dona Assunta voltou a rir.
A casa voltou a ter comida quente.
Até Mateu, viúvo havia quatro anos, começou a esperar pelas conversas no fim da tarde.
Então um carro prateado apareceu.
Lúcia viu pela janela.
O prato caiu da mão dela.
— Não…
Mateu segurou seu braço.
— Quem é?
— Se ele me encontrar, acabou.
O homem desceu do carro segurando uma fotografia.
— Estou procurando minha esposa. O nome dela é Helena.
Mateu pegou a foto.
Era Lúcia.
— Nunca vi.
O homem sorriu.
— Tem certeza?
— Tenho.
Quando o carro foi embora, Mateu entrou furioso.
— Abre essa mala.
— Eu posso ir embora.
— Não. Abre.
Com as mãos tremendo, ela colocou a mala sobre a mesa.
Mateu esperava dinheiro.
Encontrou documentos, fotografias de uma menininha e um sapatinho azul de tricô.
Helena começou a chorar.
— Minha filha viveu três anos.
Mateu perdeu a raiva.
— Foi com ela que você aprendeu a cuidar da minha mãe?
Helena confirmou.
— Meu marido me controlava, me ameaçava… Depois que minha filha morreu, eu consegui fugir. Essa mala é tudo que restou dela.
Mateu fechou a mala.
— Então você não vai fugir de novo.
— Ele vai voltar.
— Que volte.
No dia seguinte, Mateu levou Helena à delegacia.
Vieram medida protetiva, apoio jurídico e vizinhos dispostos a testemunhar.
Quando o homem retornou, encontrou Mateu na porteira.
— Ela é minha esposa.
Helena apareceu atrás dele.
— Não sou mais sua propriedade.
O homem recebeu a ordem judicial e foi embora.
Meses depois, a fazenda estava diferente.
Helena ajudava dona Assunta, as parreiras voltavam a produzir e a velha cozinha virou uma pequena cantina.
Certa tarde, Mateu encontrou Helena na mesma porteira onde tudo começara.
— Ainda quer só um teto e um prato?
Ela sorriu.
— Acho que encontrei muito mais.
Mateu segurou a mão dela.
A mala que um dia carregava apenas perda agora estava guardada dentro de uma casa onde Helena finalmente podia deixar a porta aberta.
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Maycon Teles é o criador do Fábulas Reais, um espaço dedicado a contos emocionantes, narrativas ficcionais, histórias inspiradoras e relatos de superação criados para entreter, emocionar e provocar reflexão. Seu trabalho busca transformar situações marcantes da vida em histórias envolventes, humanas e cheias de emoção.
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