
Eu Não Tenho Medo da Fome, Tenho Medo de Voltar Pra Casa… Disse a Jovem Solitária ao Fazendeiro
— Eu aceito comida. Só não me mande de volta para aquela estrada.
Quirino segurou a porteira.
— Está fugindo de alguém?
— Eu não tenho medo da fome, senhor. Tenho medo de voltar pra casa.
Ele encarou a jovem coberta de poeira.
- O Fazendeiro Expulsou o Velho Peão de Suas Terras… Sem Saber Que a Fazenda Dependia Dele
- O FAZENDEIRO HUMILHOU E EXPULSOU O PEÃO POR AMAR SUA FILHA… MESES DEPOIS IMPLOROU QUE ELE VOLTASSE
- ELA ABANDONOU O MARIDO E A FILHA NA FAZENDA POR UM HOMEM RICO… MAS VOLTOU 20 ANOS DEPOIS
- Fazendeiro Humilhou a Filha e a Expulsou — Dias Depois, o Banco Ligou
- POR BRINCADEIRA, DERAM AO FAZENDEIRO A FILHA QUE NINGUÉM QUERIA — DEPOIS TODAS SE ARREPENDERAM
— Sabe trabalhar?
Ianca levantou o queixo.
— Cuido de cabra desde os quinze. Ordenho, trato ferida, faço queijo e reconheço bicho doente antes de ele cair.
Quirino apontou para o paiol.
— Então coma. Amanhã eu vejo se você falou a verdade.
Às cinco da manhã, ele encontrou doze cabras ordenhadas, baldes lavados e uma fêmea doente separada do rebanho.
Ianca esperava sentada num caixote.
— Quem mandou fazer isso?
— Ninguém.
— Então por quê?
— O senhor me deu comida sem me conhecer. Eu não gosto de ficar devendo.
Quirino contratou Ianca naquele mesmo dia.
Em poucas semanas, o leite aumentou e até Nivalda, a cozinheira mais desconfiada da fazenda, passou a respeitá-la.
Mas havia algo estranho.
Ianca nunca lia bilhetes.
Nunca assinava o pagamento.
E carregava no pulso um barbante cheio de nós.
Até que Quirino perguntou:
— Por que você marca tudo nesse cordão?
Ianca apertou o barbante.
— Porque eu não sei ler.
Ela respirou fundo.
— Depois que meu pai morreu, meu tio Baltazar mostrou um papel e disse que eu tinha herdado uma dívida. Trabalhei dois anos para ele sem receber. Agora quer me casar com um homem de cinquenta anos para “quitar o resto”.
Quirino cerrou o maxilar.
— E você acredita nessa dívida?
— Como eu vou saber? Nunca consegui ler o papel.
Naquela semana, dona Senhorinha, mãe de Quirino e antiga professora, colocou um lápis na mão dela.
— Escreva seu nome.
— Tenho vinte e seis anos. É tarde.
— Tarde será continuar deixando os outros decidirem o que está escrito na sua vida.
Quatro meses depois, Baltazar apareceu na fazenda.
— Ianca! Pegue suas coisas. Você ainda me deve!
Ele retirou o papel amarelado do bolso.
Quirino cruzou os braços.
— Deixe ela ler.
Baltazar gargalhou.
— Ela não sabe nem escrever o nome!
Ianca avançou.
— Abra o papel, tio.
O homem empalideceu.
Ela começou devagar:
— “Declaro que recebi integralmente o valor da dívida… conta quitada… nada mais a receber.”
Ianca levantou os olhos.
— Isso não é dívida.
Baltazar tentou arrancar o documento.
— Você leu errado!
— Então leia o senhor.
Ele não conseguiu responder.
Ianca apertou o papel nas mãos.
— Dois anos… o senhor me fez trabalhar dois anos por uma dívida que já estava paga.
— Eu te dei casa!
— Com dinheiro das minhas próprias cabras.
Baltazar foi embora sem conseguir encará-la.
Dias depois, Quirino abriu o caderno de pagamentos.
— Confere seu salário.
Ianca leu cada número.
Depois pegou a caneta.
Pela primeira vez, assinou o próprio nome.
Quirino sorriu.
Mas ela chorou.
Porque naquele instante entendeu que aprender a ler não tinha apenas ensinado palavras.
Tinha devolvido a ela o direito de decidir o próprio destino.
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Maycon Teles é o criador do Fábulas Reais, um espaço dedicado a contos emocionantes, narrativas ficcionais, histórias inspiradoras e relatos de superação criados para entreter, emocionar e provocar reflexão. Seu trabalho busca transformar situações marcantes da vida em histórias envolventes, humanas e cheias de emoção.
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