Ele Parou Só Para Tomar um Café, Mas Ouviu uma Voz Humilde Orando: “Senhor, Envie-me um Homem de Deus”

— Você não devia estar aqui, Valdir.

— Eu poderia dizer a mesma coisa, Cida.

Ela apertou o terço dentro da mão e tentou voltar para a cozinha.

— Espera. Eu ouvi sua oração.

Cida virou de imediato.

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— Então esqueça o que ouviu.

— Você pediu a Deus um homem honesto para ajudar aquelas crianças.

— Pedi ajuda a Deus. Não pedi você.

Valdir sentiu o golpe. Quinze anos antes, ele tinha ido embora acreditando que Cida o abandonara. E ela passara o mesmo tempo acreditando exatamente o contrário.

Ele havia parado naquela lanchonete no norte de Goiás apenas para tomar café. Agora estava diante da única mulher que nunca conseguira esquecer.

Cida trabalhava ali para manter uma pequena escola rural funcionando. Mais de vinte crianças dependiam dela, mas o dinheiro havia acabado.

— Quanto falta? — Valdir perguntou.

— Não quero seu dinheiro.

— Nem ofereci dinheiro. Ofereci trabalho.

Ela cruzou os braços.

— Trabalho?

Valdir explicou que sua fazenda precisava de alguém para organizar as contas. E havia quinze famílias vivendo na propriedade, muitas com filhos andando quilômetros para estudar.

— Você organiza meus livros. Eu transformo o depósito velho numa sala de aula.

Cida hesitou.

— E nós dois?

— Nós dois não existem. Pelo menos não ainda.

Ela aceitou.

Nas semanas seguintes, Cida descobriu algo que não esperava. Valdir não era o homem frio e ambicioso que imaginara. Nos registros da fazenda havia remédios pagos para funcionários, material escolar, cirurgia para filho de vaqueiro.

E Valdir também percebeu que Cida não era mais a jovem que esperava por ele na porteira. Era uma mulher firme, generosa e impossível de enganar.

Até que Joel, irmão de Cida, apareceu carregando um velho gravador.

— Eu preciso contar uma coisa.

Ele colocou uma fita cassete sobre a mesa.

— Valdir me deu isso quando eu tinha nove anos. Era para entregar à Cida. Eu coloquei no rádio… e esqueci.

Cida empalideceu.

Valdir apertou o play.

Sua voz de quinze anos antes encheu a varanda:

— Cida, estou indo buscar nossa terra. Quando eu conseguir um teto, venha comigo. Casa comigo.

Ela começou a chorar.

— Eu pensei que você tivesse fugido de mim.

Cida correu até o quarto e voltou trazendo uma carta amarelada.

— E eu mandei isso meses depois.

No envelope estava escrito: “Destinatário desconhecido”.

Valdir leu:

“Se ainda me quiser, mande me buscar.”

Ele cobriu o rosto.

— Perdemos quinze anos por causa de uma fita esquecida.

— Não — Cida respondeu. — Perdemos quinze anos porque nenhum dos dois procurou a verdade até o fim.

Dias depois, ela recebeu uma proposta para dirigir uma escola em Goiânia.

Valdir não pediu que ficasse.

— Se você escolher ir, eu levo você até a rodoviária.

Na manhã seguinte, Cida o encontrou no curral.

— Recusei a proposta.

Valdir ficou sem reação.

— Não estou ficando pelo passado. Estou escolhendo o homem que você se tornou.

Meses depois, casaram na pequena capela.

Sobre uma mesa diante do altar estavam o terço, a fita e a carta devolvida.

Três objetos que provaram que quinze anos tinham sido perdidos.

Mas também que, às vezes, Deus não devolve o tempo.

Ele apenas mostra que ainda existe tempo suficiente para começar de novo.

Se você acredita que nenhuma dor é maior que a promessa de Deus, comente: EU CREIO! E diga também: de qual cidade você está nos assistindo?

✍️ Autor: Maycon Teles Criador e editor do Fábulas Reais

Maycon Teles é o criador do Fábulas Reais, um espaço dedicado a contos emocionantes, narrativas ficcionais, histórias inspiradoras e relatos de superação criados para entreter, emocionar e provocar reflexão. Seu trabalho busca transformar situações marcantes da vida em histórias envolventes, humanas e cheias de emoção.

Aviso ao leitor: Esta é uma obra de ficção criada para entretenimento e reflexão. Nomes, personagens, locais e acontecimentos podem ser fictícios ou ter sido adaptados para fins narrativos. Qualquer semelhança com pessoas ou eventos reais é mera coincidência.

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