A VIÚVA JÁ ESTAVA SEM RUMO NA CHUVA… QUANDO DE REPENTE UM FAZENDEIRO A PAROU E OFERECEU ABRIGO…

A VIÚVA JÁ ESTAVA SEM RUMO NA CHUVA… QUANDO DE REPENTE UM FAZENDEIRO A PAROU E OFERECEU ABRIGO…
“Se não tivesse perdido o marido, talvez ainda soubesse onde é o seu lugar.”
A frase veio de dentro da carroça que passou devagar, espirrando lama na barra do vestido dela.

Marluci não respondeu.

Só apertou a mala contra o peito e continuou andando na chuva, com os cabelos colados no rosto e a estrada virando barro debaixo dos pés. Já não sabia se estava fugindo do passado ou sendo empurrada por ele. Sabia apenas que não tinha mais casa, não tinha mais marido e, se parasse ali, não tinha mais força.

Foi quando uma luz apareceu no meio da escuridão.

Uma casa simples. Varanda acesa. Cerca de madeira. E um homem parado debaixo de um guarda-chuva, olhando para ela sem pressa.

“Se a senhora der mais dez passos nessa água, não chega inteira na ponte”, ele disse.

Marluci travou na porteira.

“Eu só preciso esperar a chuva baixar.”

“Então espere em lugar seco.”

Ela hesitou. “Não aceito favor longo.”

O homem abriu mais espaço na varanda. “Nem eu ofereço favor torto. Entre.”

Ela entrou.

A sala era limpa, quieta, arrumada demais para uma casa de homem sozinho. O fazendeiro puxou uma cadeira, colocou um pano seco na mesa e falou sem invadir.

“Seque o rosto primeiro. O resto a gente vê depois.”

“Obrigada”, ela murmurou.

“Josias”, ele disse, servindo café.

“Marluci.”

A chuva batia no telhado com força. O café esquentava as mãos, mas não desmanchava a cautela.

“O senhor mora sozinho?”

“Moro.”

Ela abaixou os olhos. “Eu sou viúva.”

Josias assentiu devagar, como quem entendia o peso antes mesmo da explicação.

“Meu marido morreu no ano passado. A família dele vendeu a casa, repartiu o que não era deles e me deixou com uma mala e a estrada.”

Ele ficou em silêncio por um momento. Depois disse baixo:

“Perdi minha mulher faz dois anos. Desde então, essa casa ficou de pé… mas ficou vazia.”

Na manhã seguinte, a ponte tinha sumido debaixo da água.

Josias foi direto: “Hoje a senhora não passa.”

“Então eu fico até a estrada abrir. Mas eu trabalho.”

“Sem favor?”

“Sem favor.”

E assim começou.

Nos primeiros dias, Marluci trouxe vida de volta à casa. O fogão voltou a ter cheiro de comida de verdade. A mesa deixou de parecer espera. Josias, por sua vez, nunca levantava a voz, nunca mandava mais do que pedia, nunca tratava ajuda como dívida.

Mas havia outra coisa naquela fazenda.

Problema.

Odair Pessanha, vizinho rico e arrogante, estava tentando tomar o trecho dos fundos da terra. A parte onde corria a água boa. Sem aquele pedaço, a fazenda minguava.

“Ele diz que a divisa nunca foi do meu pai”, Josias contou, sentado na varanda.

“E os papéis?”, Marluci perguntou.

“Sumiram.”

Naquela noite, alguém mexeu no depósito.

Na outra, reviraram a caixa de documentos.

“Estão procurando alguma coisa”, ela disse, segurando a lamparina.

“Ou tentando me apavorar.”

Marluci então fez o que sabia fazer melhor. Sentou à mesa, abriu cada papel, separou datas, nomes, recibos. Vasculhou a caixa, os armários… até lembrar da própria mala.

Abriu o fundo costurado à mão e puxou um maço de papéis antigos do falecido marido.

Leu um. Depois outro.

Então parou.

“Josias…”

Ele se aproximou na mesma hora. “O que foi?”

Ela ergueu a folha, os olhos acesos pela primeira vez desde que chegou.

“Meu marido guardou a cópia da certidão. A venda da terra. Livro, folha, nome do vendedor, tudo.”

No cartório, na frente de Odair, o registro original foi encontrado.

Na audiência, ele tentou desacreditar.

Marluci não tremeu.

“O senhor chamou de dúvida o que sempre foi ganância”, ela disse, olhando firme. “Agora o papel falou.”

Odair perdeu a causa.

Dias depois, Josias ficou ao lado dela na varanda onde tudo começou.

“A estrada já abriu faz tempo”, ele falou.

Marluci olhou a chuva fina caindo no terreiro.

“Eu sei.”

“E mesmo assim a senhora ficou.”

Ela respirou fundo.

“Porque dessa vez… eu não encontrei só abrigo. Encontrei respeito.”

Josias segurou a mão dela com cuidado.

E naquela casa onde ela entrou molhada, perdida e sem rumo, Marluci finalmente deixou de ser a viúva da estrada.

Virou mulher de destino.

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