
Pai Acreditou na Mentira da Esposa e Expulsou o Filho… E Pagou Caro Por Isso…
— Fora! Saia daqui agora e não ouse nunca mais pisar nestas terras que eu chamo de minhas, seu animal traidor!
O grito do meu pai, Seu Antenor, cortou o silêncio da tarde como um chicote estalando na carne viva. Eu ainda conseguia sentir o cheiro da terra molhada do curral, mas nada importava diante daquela fúria cega. O homem que eu mais respeitava no mundo estava com o rosto vermelho, as veias do pescoço saltadas e os olhos injetados de um ódio que eu nunca imaginei receber dele.
Ao lado dele, Clarice — aquela mulher que chegou como um bálsamo após a morte da minha mãe, mas que se revelou um veneno pior que picada de jararaca — fingia um choro convulsivo. Por debaixo do lenço, ela me lançava um olhar triunfante. Era o olhar de quem tinha acabado de destruir a vida de um homem honesto porque eu ousei dizer não aos seus avanços pecaminosos.
— Eu te dei tudo, Zé! Te ensinei a ser homem e é assim que você me paga? Tentando deshonrar a mulher que eu amo? — ele rugia, avançando um passo, a mão pesada e calejada tremendo de vontade de me acertar.
— Pai, pelo amor de Deus, escuta a verdade! Ela armou isso! Ela entrou no meu quarto! — eu tentei, mas a voz falhou.
— Cale a boca! — Clarice gritou, interrompendo-me com um soluço teatral. — Antenor, ele me tocou… ele disse que se eu não fosse dele, não seria de mais ninguém! Eu tive tanto medo!
— Sumir da minha frente é pouco! — meu pai sentenciou, apontando para o portão. — Você não é mais meu filho. Você é um estranho, um verme. Se em cinco minutos você não sumir, eu pego a espingarda!
Com apenas uma sacola de estopa e a dignidade ferida, vi o portão da fazenda que ajudei a erguer fechar para mim. Eu era o melhor peão, o filho mais fiel, e agora não era nada além de um pária.
Mas o mundo dá voltas, e a mentira tem pernas curtas. Meses depois, após viver de favores na cidade, descobri a verdade: Clarice e seu “primo” Marcelo eram golpistas profissionais, procurados em três estados. Voltei na calada da noite, não para brigar, mas para provar.
Escondido atrás das sacas de milho, gravei a conversa dos dois na varanda enquanto meu pai dormia.
— Quanto tempo mais temos que aguentar esse velho babão, Clarice?** — Marcelo perguntava, abraçando-a com intimidade.
— Só até ele assinar a escritura amanhã, meu amor. Depois, a gente interna ele num asilo qualquer e vende cada palmo dessa terra. O trouxa do filho dele já foi descartado, agora é só colher o lucro.** — a risada dela era gélida.
Eu não precisei dizer nada. O gravador estava ligado, mas o vulto atrás da porta foi mais rápido. Meu pai, que tinha levantado para beber água, ouviu tudo.
— Então o “trouxa” sou eu?** — a voz do Seu Antenor surgiu das sombras, mas não era mais a voz de um homem cego. Era a voz do dono daquela terra.
O pânico nos olhos de Clarice foi a minha maior recompensa. Ela tentou gaguejar, mas meu pai apenas apontou para a estrada, a mesma que eu trilhei com dor.
— Zé tinha razão. O sangue dele é puro, o seu é veneno. Saiam da minha fazenda antes que eu esqueça que sou um homem de Deus.
A justiça tardou, mas não falhou. Hoje, o sol nasce de novo no Recanto da Esperança. Meu pai e eu estamos no curral, como sempre deveria ter sido. O veneno foi expurgado, e a honra voltou a morar debaixo deste teto.
Se você acredita que nenhuma dor é maior que a promessa de Deus, comente: EU CREIO!
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