ELE ERA UM PATRÃO RICO, ELA… UMA LINDA HISTÓRIA DE AMOR QUE VOCÊ PRECISA VER…
Um arame estourado pendia na divisa de dois pastos em Ipameri, Goiás, e Clara tentava domá-lo sozinha, sob o sol. Otávio Mendonça viu da caminhonete e mandou parar. Não era só a cerca: era a calma teimosa daquela moça, puxando o fio como quem briga com a vida.
O alicate caiu. Ela prendeu a irritação, pegou de novo. Otávio desceu.

— Bom dia.

Clara virou desconfiada. — Bom dia… tá procurando alguém?

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— Tô evitando que seu gado vire meu problema — ele apontou, simples.

O fio escapou e chicoteou o ar. Otávio segurou antes que acertasse o rosto dela. A mão dele ardeu.

— Me diz onde segurar — ele falou, sem pose.

Ela hesitou, depois indicou o mourão. Trabalharam juntos. Clara mandava curto, Otávio obedecia. Em minutos, a cerca ficou firme.

— Você faz isso sempre? — ele perguntou.

— Quando aparece serviço. Tô ajudando o seu Damião, que machucou a perna. E você… é o dono daqui, né?

Otávio estendeu a mão suja de terra. — Otávio. E você é melhor que muito peão.

Clara riu, mas soltou a mão rápido, como se lembrasse da distância entre os dois.

— Já almoçou? — ele arriscou.

— Não.

— Na sede tem comida. Só comida.

Ela ia negar, mas o estômago denunciou. Entrou na caminhonete como quem entra num mundo proibido.

Dona Alzira serviu arroz, feijão e frango com molho. Clara comeu devagar, sem pedir desculpa por estar com fome. Otávio percebeu que a casa grande parecia menos vazia quando ela falava do sítio pequeno, da mãe costureira e do sonho de terminar um curso técnico.

Na pia, Clara insistiu em ajudar. Dona Alzira deixou, e as duas riram baixinho. Otávio, na porta, entendeu uma verdade dura: ele tinha terra e nome, mas não tinha aquela leveza.

Na volta, parou no sítio dela, cercado de flores em latas pintadas.

— Preciso de alguém confiável na fazenda — ele disse. — Horta, jardim, escritório. Nada de arame todo dia.

Clara cruzou os braços. — Por que eu?

— Porque você não foge do difícil — Otávio respirou fundo. — E porque eu queria te ver de novo, sem desculpa.

O vento mexeu a trança dela. Clara olhou para a cerca consertada, como se o arame tivesse opinião.

— Eu vou pensar. Mas, se eu aceitar, tem condição: respeito. Aqui e lá.

Otávio assentiu, sério. — Fechado.

Dois dias depois, Clara apareceu na sede para um teste. Um capataz riu: “Patrão, a moça é delicada demais.” Clara baixou os olhos, mas não recuou. Otávio então entregou a ela o caderno de anotações da horta e disse alto: “Delicada é desculpa de quem não trabalha.” No fim da tarde, quando ela viu Otávio pegando no pesado ao lado dos funcionários, entendeu que ele não queria mandar, queria somar. E, pela primeira vez, Clara sentiu que podia confiar sem medo.

Quando ligou a caminhonete, viu Clara acenar. Não era conto de princesa. Era o começo de uma parceria que podia virar amor, do jeito mais improvável: com poeira, calos e uma cerca quebrada abrindo caminho.

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Aviso ao leitor: Esta é uma obra de ficção criada para entretenimento e reflexão. Nomes, personagens, locais e acontecimentos podem ser fictícios ou ter sido adaptados para fins narrativos. Qualquer semelhança com pessoas ou eventos reais é mera coincidência.

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