“SE CONSEGUIR PAGAR UM QUARTO, TE DOU A SUÍTE!” — ZOMBOU O GERENTE… MAS O FAZENDEIRO FEZ ELE CALAR…
Um cartão preto com faixa dourada caiu do bolso do homem de botas gastas e deslizou pelo mármore do saguão, parando aos pés do gerente.
Seu Antero Guimarães, sessenta e oito, segurou o chapéu de palha como quem segura respeito. Trazia uma mala de lona e um cheiro leve de estrada. O Hotel Miraggio, em Goiânia, brilhava em lustres e perfume caro. Na fila, ternos, saltos e celulares. Quando Antero chegou ao balcão, o gerente Flávio Barreto mediu primeiro as botas, só depois o rosto.

— Reserva? — perguntou, alongando a palavra como dúvida.

Antero pôs o papel impresso na bancada. Flávio nem digitou. Riu para a fila e falou alto, gostando do público:

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— Fazemos assim: se o senhor conseguir pagar o quarto mais barato agora, eu te dou a suíte presidencial. Promoção especial pra… quem tem coragem.

Uma risadinha escapou atrás. A recepcionista baixou os olhos. Antero recolheu o cartão do chão, guardou sem pressa e disse apenas:

— Então confirma meu check-in.

Flávio inventou “validação pendente” e apontou para uma salinha lateral, longe das testemunhas. Antero sentou, encarou as próprias mãos marcadas e lembrou do pasto rachado de anos atrás, quando o banco também o fez esperar. Naquele tempo ele não fugiu. Não fugiria agora.

Voltou ao balcão. Flávio apareceu com um supervisor e pediu “comprovante de vínculo”, como se o nome no voucher não bastasse. Antero abriu a pasta e colocou, um por um, o crachá do Congresso do Agro, o voucher pré-pago e o cartão preto fosco.

Nesse instante, uma mulher de blazer azul atravessou o saguão com passos firmes.

— Seu Antero? — ela chamou, aliviada. — Sou Sílvia Paredes, diretora regional da rede. Estão te segurando por quê?

Flávio engasgou no sorriso. Sílvia pegou o tablet, digitou o CPF e virou a tela. Lá estava: cliente Platina, histórico limpo, e mais embaixo, “Patrocinador Máster — 90 quartos reservados”.

O coordenador do evento, Davi Nogueira, surgiu do corredor com um crachá balançando.

— Finalmente! O estande da Guimarães Agro está lotado. O senhor é a estrela de hoje.

O saguão parou. Gente que fingia não ver começou a ouvir. Flávio tentou recuperar o controle, falando de “perfil do hotel” e “procedimentos”. Sílvia não elevou a voz.

— Procedimento nenhum permite humilhar hóspede. E aposta não é protocolo.

Antero olhou para Flávio como quem olha uma porteira torta: sem ódio, só decisão.

— Eu não precisava da suíte — disse baixo. — Eu precisava de respeito.

Davi abriu o contrato da parceria do hotel com o congresso e apontou a cláusula de qualidade. Flávio ficou pálido. O segurança, antes chamado, descruzou os braços e recuou.

Sílvia pegou a chave da suíte, colocou na mão de Antero e completou:

— A suíte é sua, porque ele prometeu. E amanhã todo mundo aqui vai treinar atendimento, porque isso nunca mais acontece.

Antero colocou o chapéu, pegou a mala e caminhou para o elevador. No espelho, viu as botas gastas e sorriu por dentro. Não pela vitória. Mas porque, dessa vez, ele não deixou ninguém diminuir a história que aquelas botas carregavam.

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Aviso ao leitor: Esta é uma obra de ficção criada para entretenimento e reflexão. Nomes, personagens, locais e acontecimentos podem ser fictícios ou ter sido adaptados para fins narrativos. Qualquer semelhança com pessoas ou eventos reais é mera coincidência.

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