“VOCÊ PRECISA DE LEITE PRA SUA FILHA… E EU PRECISO DE UM MARIDO URGENTE”…
Se Lia não mamasse agora, Caio Antunes desabaria: ele apertava a bebê de três meses contra o peito, na estrada para Serra Azul. O choro dela já durava duas horas, e a última colher de fórmula tinha acabado na noite anterior. A mercearia mais próxima ficava a quarenta quilômetros. Quando ele pensou em desistir, uma mulher saltou a cerca da Fazenda Santa Clara e veio correndo, ofegante, com boné e botas sujas de barro.

—Você é o Caio que alugou a casa do seu Osvaldo, né? —ela perguntou, com olhos aflitos.

—Sou. E a senhora é…?

—Helena Duarte. Dona daqui. E eu ouvi sobre sua perda. Também estou com a corda no pescoço. Eu tenho leite fresco todos os dias… mas preciso de um marido urgente.

Caio quase riu de nervoso. Helena mostrou um envelope: o avô dela deixara no testamento uma cláusula cruel. Se Helena não se casasse em quinze dias e o esposo não morasse um ano na propriedade, a fazenda passaria para primos ambiciosos. O líder deles, Dário, já rondava com advogados.

Lia chorou mais alto. Caio engoliu seco. Ele tinha fugido de Curitiba para escapar das lembranças de Isabela, a esposa que morrera no parto, e agora a vida o empurrava para outra loucura. Helena, porém, não ameaçou nem implorou.

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—Mesmo que você diga não, vem buscar leite. Bebê não paga pelas brigas dos adultos.

Na manhã seguinte, Caio foi. Viu currais impecáveis, gente trabalhando com respeito e Helena sabendo o nome de cada vaca. Ela não era frágil; era solitária. No cartório, assinaram em silêncio, com um selinho sem graça que deixou os dois sem ar.

Na fazenda, combinaram regras: quartos separados, respeito ao luto, decisões da Lia sempre nas mãos de Caio. Mesmo assim, Helena colocava flores na mesa e deixava bilhetes com horários de ordenha para ele não se perder. Certa tarde, Dário apareceu sorrindo, fazendo perguntas doces demais. Caio, sem perceber, puxou Helena pela cintura e falou de “nossa casa”. Ela corou. Quando o primo foi embora, Helena sussurrou: —Você me defendeu como se fosse real. E Caio ficou sem resposta.

Dias depois, os advogados chegaram. Perguntas, ironias, armadilhas. Helena segurou o braço de Caio com naturalidade ensaiada e respondeu com calma: ele ainda estava de luto, eles construíam intimidade aos poucos. À noite, na varanda, Caio percebeu algo: Lia dormia melhor quando Helena a embalava.

A audiência veio como tempestade. O promotor chamou o casamento de fraude. Caio confessou que tudo começara como acordo, mas disse, olhando Helena nos olhos, que havia virado abrigo. Helena, tremendo, chamou Lia de “minha filha” diante do juiz. O silêncio do fórum doeu mais que qualquer acusação.

O veredito salvou a fazenda. No carro, Caio perguntou o que aconteceria agora. Helena respirou fundo, como quem decide viver:

—Eu não quero que você vá embora.

Caio não prometeu esquecer Isabela. Prometeu, isso sim, não fugir mais. Ele beijou Helena de verdade, sem roteiro. E naquele instante, entre o cheiro de pasto e o riso baixinho de Lia acordando, os dois entenderam: o que era urgência virou escolha. Todo dia.

“Se você acredita que nenhuma dor é maior que a promessa de Deus, comente: EU CREIO! E diga também: de qual cidade você está nos assistindo?”

✍️ Autor: Maycon Teles Criador e editor do Fábulas Reais

Maycon Teles é o criador do Fábulas Reais, um espaço dedicado a contos emocionantes, narrativas ficcionais, histórias inspiradoras e relatos de superação criados para entreter, emocionar e provocar reflexão. Seu trabalho busca transformar situações marcantes da vida em histórias envolventes, humanas e cheias de emoção.

Aviso ao leitor: Esta é uma obra de ficção criada para entretenimento e reflexão. Nomes, personagens, locais e acontecimentos podem ser fictícios ou ter sido adaptados para fins narrativos. Qualquer semelhança com pessoas ou eventos reais é mera coincidência.

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