Quando Augusto Nogueira abriu os olhos na clínica de Santa Aurora, tudo ao redor parecia um borrão. O acidente havia sido sério, mas ele estava consciente — preso dentro do próprio corpo, incapaz de reagir. Tentou mover a mão, mas nenhum músculo respondeu. E foi aí que ouviu passos no corredor… e a voz que ele mais conhecia no mundo.
“Ele não vai acordar, doutor. O estado é irreversível”, disse Cláudia, sua esposa, com uma calma que gelou a espinha de Augusto. Havia algo estranho, calculado. Outra voz, masculina, perguntou: “E a mãe dele?” Cláudia respondeu sem hesitar: “A velha não tem poder sobre nada. Eu sou a esposa. Assim que liberarem, resolvemos tudo.”
“Resolver tudo.” Aquelas palavras ecoaram como um golpe. A porta abriu e Cláudia entrou com expressão ensaiada de preocupação. Ela tocou nos aparelhos como quem estudava possibilidades e sussurrou ao médico: “Ele não ia querer viver assim. O senhor entende…”
O médico se afastou, recusando a sugestão. Mas Augusto entendeu perfeitamente: ela queria vê-lo morto.
Na madrugada seguinte, entrou no quarto uma enfermeira jovem, Lívia Montalvão. Ela observou o movimento dos olhos dele e percebeu que não era reflexo. Aproximou-se e sussurrou: “Se me escuta, pisque duas vezes.” Ele piscou. O mundo de Lívia parou. Ela chamou o médico, Dr. Álvaro, e juntos fizeram testes discretos. Augusto estava consciente, mas quase paralítico. Quando conseguiu formar palavras, ele implorou: “Não contem a ela. Ela quer me matar.”
Dr. Álvaro respirou fundo. “Se ela realmente quer a herança, vamos usar isso.” E o plano começou.
Três dias depois, a clínica ligou para Cláudia: “Seu marido faleceu.” O choro dela no telefone era falso, e sua pressa em chegar mais ainda. Ao receber a notícia de que o corpo tinha sido enviado ao Instituto Médico Legal, ela respirou fundo, quase aliviada. No estacionamento, ligou para alguém: “Acabou, amor. Agora é só esperar.”
Do outro lado da clínica, Augusto assistia tudo pelas câmeras instaladas por Lívia. Ver sua esposa — a mulher com quem viveu 11 anos — comemorar sua morte foi como levar outro acidente, só que emocional. Ele sabia agora exatamente quem ela era.
Dois dias depois, ele voltou para casa. Trocara fechaduras, colocara seguranças, e quando abriu a porta encontrou Cláudia com Edgar, seu ex-sócio. Champanhe, risadas, brindes pela “herança”.
A porta se abriu. Augusto entrou.
Silêncio. A taça caiu da mão de Cláudia.
“Surpresa”, disse ele.
Em pânico, ela tentou fingir preocupação, mas Augusto a cortou: “Tudo gravado. Cada palavra. Inclusive quando você pediu para o médico me desligar.” Cinco minutos depois, os seguranças colocaram os dois para fora.
Cláudia tentou lutar na justiça, mas quando descobriu que teria direito à metade das dívidas — quase dois milhões — assinou a renúncia no mesmo dia. Augusto estava livre.
Duas semanas depois, ele voltou à clínica com rosas amarelas para Lívia. “Você salvou minha vida.” Ela sorriu. “Quer jantar comigo?”, ele perguntou. “Quero”, respondeu ela, com brilho nos olhos.
Augusto entendeu: a vida às vezes derruba, mas também oferece recomeços — principalmente quando a verdade finalmente aparece.
Se você acredita que nenhuma dor é maior que a promessa de Deus, comente: EU CREIO! E diga também: de qual cidade você está nos assistindo?

✍️ Autor: Maycon Teles Criador e editor do Fábulas Reais

Maycon Teles é o criador do Fábulas Reais, um espaço dedicado a contos emocionantes, narrativas ficcionais, histórias inspiradoras e relatos de superação criados para entreter, emocionar e provocar reflexão. Seu trabalho busca transformar situações marcantes da vida em histórias envolventes, humanas e cheias de emoção.

Aviso ao leitor: Esta é uma obra de ficção criada para entretenimento e reflexão. Nomes, personagens, locais e acontecimentos podem ser fictícios ou ter sido adaptados para fins narrativos. Qualquer semelhança com pessoas ou eventos reais é mera coincidência.

Views: 1

💛 Gostou da história?

Compartilhe com alguém que precisa ler isso hoje.

Compartilhar no Facebook
← Voltar para histórias